Deliane Penha: roda de conversa e Pint of Scienc

No dia 19 de maio de 2026, o projeto Ciência, Coisa de Menina recebeu a professora doutora Deliane Penha, da Universidade Federal do Oeste do Pará, em Poços de Caldas.

No período da manhã, a professora participou de uma roda de conversa com os alunos do Colégio Municipal. Durante o encontro, compartilhou sua trajetória como cientista e comentou sobre a relevância de suas pesquisas relacionadas às árvores da floresta Amazônica. Foi um momento muito inspirador, marcado pela curiosidade, entusiasmo e participação ativa dos estudantes.

No período da noite, a cientista participou do Pint of Science, evento gratuito e aberto para toda a comunidade, que acontece todos os anos em Poços de Caldas. O encontro contou com diversos patrocinadores e apoiadores, entre eles o projeto Ciência, Coisa de Menina, a Universidade Federal de Alfenas e o Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (ambos campus Poços de Caldas). O evento busca aproximar a ciência da população, levando conhecimento científico de forma acessível e descontraída para diferentes públicos.

A temática da apresentação foi: “O curioso caso de árvores na Amazônia: morrem de sede, mas às vezes de fome”. Durante sua fala, a professora destacou a importância das árvores amazônicas para a regulação do clima, o equilíbrio do ciclo da água e os fatores que envolvem a morte das árvores da floresta Amazônica e do mundo. Sua pesquisa contribui para compreender como as árvores reagem às alterações ambientais e aos períodos de seca, ajudando cientistas a entenderem os impactos das mudanças climáticas na floresta Amazônica e em todo o planeta.

No encontro, a professora Dra Renata Piacentini Rodriguez (coordenadora do projeto CCM), juntamente com a professora Dra Deliane Penha, anunciou o novo pólo do projeto Ciência, Coisa de Menina. O momento foi emocionante: agora, o projeto levará divulgação científica também para o estado do Pará, para as meninas da cidade de Oriximiná.

Agradecemos imensamente à professora Deliane Penha por cada um dos encontros, pela generosidade em compartilhar seus conhecimentos, sua trajetória e sua paixão pela ciência. Sua presença inspirou estudantes, professores e toda a comunidade, mostrando a importância da pesquisa científica. Foi uma honra recebê-la em Poços de Caldas e esperamos que este seja apenas o começo de muitos encontros.

 

Segurança Alimentar: a ciência que combate a fome no Brasil

Falar de fome no Brasil pode parecer contraditório. Afinal, o país é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Ainda assim, muitos brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar no dia-a-dia, um problema que revela profundas desigualdades sociais, atingindo de forma mais intensa populações vulneráveis e regiões historicamente marginalizadas.

Segundo a FAO, segurança alimentar existe quando todas as pessoas têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais. Esse conceito envolve não apenas a disponibilidade de alimentos, mas também o acesso, a qualidade nutricional e a estabilidade ao longo do tempo.

A fome no Brasil não é causada pela falta de alimentos, mas principalmente pela dificuldade de acesso. Fatores como pobreza, desemprego, concentração de renda e desigualdades regionais dificultam que parte da população consiga se alimentar de forma adequada. Soma-se a isso o impacto das mudanças climáticas, que afetam a produção agrícola, e o desperdício de alimentos ao longo da cadeia produtiva.

Nesse contexto, a ciência e a tecnologia desempenham um papel estratégico ao oferecer ferramentas para compreender e enfrentar o problema de forma sistêmica. O conhecimento científico permite integrar dados sobre produção, distribuição, consumo e nutrição, contribuindo para a formulação de soluções mais eficientes. Tecnologias de monitoramento, inovação na produção de alimentos, melhoria nos sistemas de armazenamento e distribuição, além da geração de evidências para políticas públicas, são exemplos de como a ciência se traduz em ações concretas no combate à fome.

No entanto, apesar desse potencial, os desafios são significativos. A produção de conhecimento científico nem sempre se traduz em políticas públicas efetivas, seja por falta de investimento, descontinuidade de programas ou ausência de políticas públicas. Além disso, há barreiras estruturais que limitam o impacto dessas soluções, como a desigualdade social persistente e as dificuldades de acesso a tecnologias por pequenos produtores.

Outro desafio importante é a necessidade de conciliar aumento da produção de alimentos com sustentabilidade ambiental. O avanço das mudanças climáticas impõe novos riscos à segurança alimentar, exigindo respostas rápidas e baseadas em evidências. Ao mesmo tempo, o desperdício de alimentos continua sendo um problema crítico, evidenciando falhas na gestão e na distribuição que poderiam ser mitigadas com maior aplicação de conhecimento técnico.

Políticas públicas baseadas em evidências científicas têm demonstrado capacidade de reduzir a fome e melhorar as condições de vida da população. Iniciativas como o Programa Bolsa Família, o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional mostram que a articulação entre ciência, Estado e sociedade pode gerar resultados concretos. Ainda assim, a continuidade e o fortalecimento dessas ações são fundamentais para garantir avanços duradouros.

Dessa forma, combater a fome no Brasil exige mais do que capacidade produtiva: demanda compromisso político, investimento em ciência e tecnologia e enfrentamento das desigualdades estruturais. A ciência não resolve o problema sozinha, mas é uma ferramenta indispensável para orientar decisões e construir soluções mais justas e eficazes.

Referências:

BEZERRA, Thaíse Alves; OLINDA, Ricardo Alves de; PEDRAZA, Dixis Figueroa. Insegurança alimentar no Brasil segundo diferentes cenários sociodemográficos. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, p. 637-651, 2017.

KEPPLE, Anne Walleser; SEGALL-CORRÊA, Ana Maria. Conceituando e medindo segurança alimentar e nutricional. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, p. 187-199, 2011.

FAO, IFAD, UNICEF, WFP and WHO. 2022. The State of Food Security and Nutrition in the World 2022. Repurposing food and agricultural policies to make healthy diets more affordable. Rome, FAO.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola Estatística da Produção Agrícola: Março de 2026.

Como os dados científicos moldam políticas de proteção à mulher e população LGBTQIA+

A construção de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e da população LGBTQIA+ não acontece por acaso nem apenas com base em opiniões. Essas políticas são, em grande parte, resultado de estudos científicos que analisam a realidade social e identificam problemas concretos. Ou seja, é a partir de dados confiáveis que o poder público consegue entender onde estão as desigualdades e como agir para reduzi-las.

Nesse contexto, o dado científico é fundamental porque torna visíveis situações que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia. Pesquisas na área de gênero e diversidade mostram, por exemplo, que pessoas LGBTQIA+ enfrentam dificuldades no acesso à saúde, muitas vezes por falta de preparo dos profissionais ou por preconceitos ainda presentes. Esses estudos ajudam a mostrar que o problema não é individual, mas estrutural, e que precisa de soluções coletivas e organizadas.

Além disso, a ciência também ajuda a melhorar as políticas já existentes. Há pesquisas que indicam que, mesmo quando existem diretrizes para atender a população LGBTQIA+, muitos profissionais não as conhecem ou não sabem como aplicá-las. Isso mostra que não basta criar políticas: é preciso garantir que elas sejam colocadas em prática, por meio de capacitação e acompanhamento. Assim, os dados científicos ajudam a identificar falhas e apontar caminhos para melhorar os serviços.

No caso das mulheres, especialmente em relação à violência de gênero, os estudos têm um papel ainda mais central. A produção científica permite identificar padrões de violência, como os contextos em que ela ocorre com maior frequência (muitas vezes dentro do ambiente doméstico) e os fatores de risco envolvidos. Essas informações foram essenciais, por exemplo, para a criação e o fortalecimento de leis e políticas públicas específicas de proteção às mulheres, além da implementação de delegacias especializadas, casas de acolhimento e canais de denúncia.

Outro ponto importante é que os dados revelam que algumas mulheres estão em situação de maior vulnerabilidade, como mulheres negras e de baixa renda, o que reforça a necessidade de políticas públicas que considerem essas desigualdades. O entendimento mais amplo, construído com base em estudos científicos, contribui para que as políticas públicas sejam mais completas e eficazes.

Os dados científicos também são fundamentais para avaliar se as políticas estão funcionando. A partir de estatísticas e pesquisas, é possível acompanhar a redução (ou não) dos casos de violência, identificar falhas nos serviços e propor melhorias. Isso garante que as políticas não fiquem apenas no papel, mas tenham impacto real na vida das pessoas.

Por fim, diversas instituições públicas utilizam dados científicos para orientar suas ações. Órgãos do sistema de justiça, por exemplo, têm investido na coleta e análise de dados para entender melhor os casos de violência e discriminação. Isso permite que as decisões sejam mais justas e que as políticas públicas sejam mais eficazes.

Portanto, o dado científico é essencial para a criação e o aprimoramento de políticas de proteção às mulheres e à população LGBTQIA+. Ele permite que as decisões sejam baseadas em evidências, e não em achismos, contribuindo para uma sociedade mais justa, segura e igualitária.

O Mapa das Pesquisadoras: um panorama da ciência feminina no Brasil

A ciência brasileira é profundamente marcada pelas contribuições de mulheres que atuam em diversas áreas do conhecimento, em todas as regiões do país. Ainda que alguns nomes recebam maior visibilidade, existe uma rede ampla e potente de pesquisadoras (muitas vezes fora dos holofotes) que produzem conhecimento essencial para o desenvolvimento científico e social.

As pesquisadoras brasileiras desempenham um papel central tanto na produção científica nacional quanto internacional. Apesar disso, ainda enfrentam desafios estruturais: permanecem sub-representadas em cargos de liderança e, com frequência, recebem menos reconhecimento institucional. Mesmo diante desse cenário, elas seguem conquistando espaço e fortalecendo a presença feminina na ciência.

Conheça, a seguir, pesquisas de impacto conduzidas por mulheres em todas as regiões do Brasil:

Pesquisadoras da Região Norte

Na Região Norte, a produção científica liderada por mulheres está diretamente ligada à Amazônia e aos seus impactos globais.

Erika Berenguer desenvolve estudos sobre a flora amazônica, contribuindo para o conhecimento e a conservação da biodiversidade. Marília Brasil Xavier atua na investigação de doenças infecciosas tropicais, com impacto direto na saúde pública da região. Elenise Faria Scherer, por sua vez, investiga o desenvolvimento regional e a sustentabilidade na Amazônia.

Pesquisadoras da Região Nordeste

A Região Nordeste se destaca pela produção científica de alto impacto, especialmente nas áreas de saúde pública, biotecnologia e biodiversidade.

Jaqueline Goes de Jesus teve papel fundamental no sequenciamento do SARS-CoV-2 no Brasil, fortalecendo a vigilância epidemiológica. Silvana Santos desenvolve pesquisas em genética humana, com foco em doenças raras e populações do sertão, ampliando o acesso ao diagnóstico e à inclusão científica. Na área ambiental, Patrícia Muniz de Medeiros investiga o uso de plantas medicinais e os saberes tradicionais do semiárido.

Pesquisadoras da Região Centro-Oeste

A Região Centro-Oeste é estratégica para a ciência brasileira, com pesquisas voltadas à produção de alimentos e à sustentabilidade.

Na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Henriette Monteiro Cordeiro de Azeredo desenvolve estudos sobre conservação de alimentos e embalagens sustentáveis. Na área da saúde e nutrição, Kênia Mara Baiocchi de Carvalho pesquisa nutrição e doenças crônicas.

Pesquisadoras da Região Sudeste

A Região Sudeste concentra pesquisas com forte presença em ciência, tecnologia e inovação.

Ester Sabino liderou o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2 em tempo recorde, contribuindo decisivamente para o combate à pandemia. Claudia Bauzer Medeiros desenvolve pesquisas em ciência de dados e gerenciamento de informações geográficas. Renata Valeriano Tonon atua em tecnologias de processamento que aumentam a vida útil dos produtos alimentícios. Já Márcia Regina Cominetti pesquisa mecanismos celulares relacionados ao câncer.

Pesquisadoras da Região Sul

A Região Sul se destaca pela excelência em ciência básica e aplicada, com pesquisas de impacto nacional e internacional.

A física Márcia Barbosa lidera estudos sobre as propriedades da água, com relevância global. A bióloga Thaisa Storchi Bergmann investiga a formação e evolução de buracos negros em galáxias. Mariangela Hungria lidera estudos sobre fixação biológica de nitrogênio, reduzindo o uso de fertilizantes químicos. Na área da saúde e medicina regenerativa, Patricia Pranke atua em estudos com células-tronco.

O panorama apresentado evidencia a diversidade e a relevância das pesquisas conduzidas por mulheres em todas as regiões do Brasil. Em diferentes áreas do conhecimento, essas pesquisadoras contribuem de forma significativa para o avanço da ciência, enfrentando desafios e ampliando as fronteiras do saber.

 

 

Dia Nacional das Meninas e Mulheres na Ciência: de reflexões a soluções

Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Nacional das Meninas e Mulheres na Ciência foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2015 com o objetivo principal de chamar a atenção do mundo para um desafio que ainda persiste: a desigualdade de gênero na ciência. A data não é apenas comemorativa — ela é, acima de tudo, um convite à reflexão e à solução.

A Ciência e o Protagonismo Feminino no Mundo.

A ciência está relacionada ao poder das nações e às importantes decisões que influenciam a sociedade. Assim, a participação de meninas e mulheres na ciência torna-se um elemento importante para determinar os rumos da sociedade.

Dados recentes da UNESCO mostram que, embora as mulheres sejam maioria no ensino superior em grande parte do mundo, elas representam apenas cerca de 35% dos graduados nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Quando olhamos para a carreira científica, a desigualdade se torna ainda mais evidente: apenas um terço dos pesquisadores no mundo são mulheres.

Esses números não indicam falta de interesse ou de capacidade. Pelo contrário: meninas e mulheres demonstram, desde cedo, curiosidade, criatividade e grande potencial para as áreas STEM. O que frequentemente falta não é interesse, mas acesso. Faltam oportunidades reais, incentivos contínuos, referências femininas visíveis e ambientes que acolham, estimulem e reconheçam suas trajetórias.

Mais do que números, estamos falando de histórias, sonhos e futuros possíveis. Investir em meninas e mulheres na ciência é investir em inovação, diversidade e justiça social. De acordo com a UNESCO, promover a igualdade de gênero na ciência passa pelo desmantelamento de estereótipos e preconceitos, ampliando a visibilidade de modelos femininos e reconhecendo suas contribuições, além de fortalecer redes e plataformas globais que possibilitem conexões profissionais significativas entre mulheres cientistas. Também é fundamental envolver pais e responsáveis em iniciativas educativas que combatam concepções equivocadas sobre as áreas científicas e questionem expectativas de gênero que influenciam identidades, crenças e escolhas das meninas.

Conclusão

O Dia Nacional das Meninas e Mulheres na Ciência reforça a necessidade de garantir acesso igualitário à educação científica, promover a valorização de mulheres pesquisadoras, combater estereótipos e incentivar meninas a acreditarem que a ciência é um espaço para elas.

Que esta data nos lembre que a ciência só é verdadeiramente completa quando todas as vozes têm espaço para participar, criar e transformar. Que ela também reafirme, sem dúvidas, que ciência é coisa de menina — e que garantir esse lugar é um direito. Que sigamos lutando todos os dias por mais oportunidades, visibilidade e equidade, para que meninas e mulheres possam ocupar a ciência com liberdade, reconhecimento e protagonismo.

 

#CienciaCoisaDeMenina #MulheresNaCiencia #EquidadeDeGenero #CienciaComDiversidade #LugarDeMulherÉNaCiencia #EducacaoCientifica #DivulgacaoCientifica

Especial Ciência, Coisa de Menina 2025

 

 

A ciência brasileira ganha novas cores, vozes e perspectivas quando abrimos as portas para o talento feminino desde cedo. O projeto Ciência Coisa de Menina tem sido um divisor de águas na vida de jovens em todo o país, provando que o laboratório, a pesquisa e a inovação são espaços de direito de toda mulher.

Para entender a dimensão dessa transformação, reunimos depoimentos de participantes de diferentes polos e regiões. Elas compartilham suas experiências, os momentos que marcaram sua trajetória em 2025 e como o projeto ajudou a moldar suas visões de mundo.

Polo Tramandaí – UFRGS

Júlia Yasmin Maciel Licks, 18 anos
“O projeto Ciência, Coisa de Menina me mostrou que a ciência também é o meu lugar, e que quando uma menina acredita no seu potencial, ela transforma o futuro. O momento que mais me marcou no projeto foi a confecção de perfumes. Foi uma experiência única, criativa e cheia de descobertas. Poder transformar ideias em algo real, com minhas próprias mãos, me fez sentir ainda mais conectada com a ciência e perceber o quanto ela pode ser divertida, prática e inspiradora. O projeto tem um impacto enorme em nível nacional, pois incentiva meninas de diferentes regiões do país a acreditarem em seu potencial científico. Ele abre portas, promove representatividade, cria oportunidades de aprendizagem e mostra que meninas podem e devem ocupar espaços importantes no mundo da ciência. Ao unir polos de várias regiões, o projeto fortalece a presença feminina na ciência e contribui para a construção de um futuro mais diverso, criativo e igualitário para todo o Brasil.”

Yasmin Nunes da Silva, 19 anos
“Participar do projeto Ciência: Coisa de Menina me abriu muitas portas, muitas oportunidades e experiências novas. Posso dizer que faço parte de um projeto que é como uma família para mim. É uma honra enorme estar nesse projeto, que é muito importante e especial para mim. O que mais me marcou neste 2025 com o projeto foi a minha primeira visita à UFRGS do litoral. Foi uma experiência maravilhosa! Fomos convidadas a assistir a uma palestra incrível, e para mim, isso foi marcante. Eu espero que esse projeto possa se expandir para fora do país e mostrar para outras meninas esse mundo maravilhoso da ciência, repleto de experiências, amor e empatia umas pelas outras. Afinal, isso é o que resume o Ciência é Coisa de Menina!”

Sophia Dourado, 18 anos
“O projeto foi importante para mim porque me deu a oportunidade de conhecer muitas pessoas legais, aprender coisas novas e me incentivou a sempre procurar superar as minhas próprias expectativas. Participei de oficinas muito legais, como a do perfume, e me diverti muito nesse projeto!”

Polo Poços de Caldas – Unifal

Ana Julia Faria Fernandes, 18 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina me ensinou e me mostrou caminhos nos quais posso ingressar e me capacitar para alcançar meus sonhos e desejos, além de mostrar que toda mulher mostra que toda mulher pode ser cientista.”

Maria Luiza Maciel, 18 anos
“Em 2025, o projeto Ciência: Coisa de Menina me mostrou quem eu posso ser: uma menina que questiona, descobre e transforma, e que faz parte de um movimento que inspira outras meninas em todo o país.”

 

Polo Florianópolis – UFSC 

Eduarda Valenthini, 16 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina, foi a porta que eu precisava para adentrar ainda mais no mundo científico. Com o projeto, aprendi com mulheres incríveis o quanto somos, sim, importantes e necessárias em ambientes que, por tanto tempo, nos foram negados.”

Maria Luiza Silva Souza, 15 anos
“O projeto é muito significativo no sentido de conscientização, ajuda muito em mostrar que qualquer um pode sim entrar na ciência independente de sua cor, gênero ou sexualidade. Isso por si é muito bonito e motiva outras pessoas à entrarem nesse meio, pessoas que não teriam tantas oportunidades.”

 

Polo Salvador – IFBA

Alyne Silva Lopes, 21 anos
“‘O que é ser mulher?’ Para além da ciência, o projeto CCM também impacta no nosso senso crítico sobre o universo feminino, como a sociedade o molda e como nós podemos nos libertar disso.”

Taíssa Santos e Santos, 19 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina representa a oportunidade de me reconhecer como parte da ciência, de entender que o meu lugar também é nos laboratórios, nas pesquisas e nas descobertas. O que mais me marcou foi perceber o quanto somos capazes quando recebemos incentivo, apoio e conhecimento, além das experiências práticas que fortaleceram a minha confiança e o meu interesse pela ciência.”

Polo Penedo – IFAL

Letícia Oliveira Veras (17 anos) e Letycya Gabryella Santos (16 anos)
A frase é: ”A ciência também se constrói com mãos femininas”

 

O Futuro é Feminino e Científico! Os relatos dessas jovens deixam claro que o Ciência Coisa de Menina vai muito além de oficinas e palestras: trata-se de um movimento de emancipação. Ao oferecer ferramentas, representatividade e uma rede de apoio, o projeto está formando não apenas futuras cientistas, mas cidadãs críticas e confiantes.

A ciência brasileira só tem a ganhar com essa diversidade. Afinal, como as próprias participantes afirmam: o futuro se transforma quando uma menina acredita no seu potencial.

Encerramento do Ano e Metas para 2026

 

 

Ao encerrarmos mais um ano de atividades do Ciência, coisa de menina, queremos expressar nossa profunda gratidão a todas as pessoas que tornaram essa trajetória possível. Cada conquista alcançada é resultado de um esforço coletivo, construído com compromisso, sensibilidade, dedicação e trabalho em rede.

Pesquisadoras, professoras, estudantes, técnicas, bolsistas, apoiadores institucionais e parceiros caminharam juntos, contribuindo com saberes, tempo, escuta e afeto para fortalecer um projeto que tem como propósito ampliar a diversidade de gênero na ciência brasileira. Ao longo deste ano, avançamos não apenas em ações, oficinas, formações e mentorias, mas também em aprendizados, trocas e na construção de novos olhares sobre o fazer científico.

O Ciência, coisa de menina reafirma seu compromisso com a formação de alunas do ensino fundamental II e do ensino médio de escolas públicas das regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, por meio de um programa de mentoria científica assistida. Nossa grande meta que orienta cada ação desenvolvida é contribuir para a transformação da percepção que essas estudantes têm da carreira científica, mostrando que a Universidade é um espaço de entrada, permanência, pertencimento e produção de conhecimento, e não apenas um caminho de qualificação da mão de obra.

Os resultados alcançados ao longo deste ano demonstram a força do trabalho coletivo e a potência de iniciativas que acreditam na ciência como ferramenta de transformação social. Cada encontro, cada oficina, cada conversa e cada conquista reforçam que estamos no caminho certo.

A todos e todas que fizeram parte dessa jornada, nosso muito obrigada. Que o próximo ano seja repleto de novas oportunidades, descobertas, aprendizados e avanços, e que possamos seguir fortalecendo uma ciência mais diversa, inclusiva e comprometida com a equidade.

Desejamos um Ano Novo próspero, com saúde, esperança e muitas novas descobertas científicas.
Atenciosamente: Coordenação do Projeto Ciência, coisa de menina

Metas do Ciência, coisa de menina para 2026:

  • Ampliar o alcance do projeto, envolvendo um número ainda maior de meninas e comunidades.
  • Implantar dois novos polos do Ciência, coisa de menina, fortalecendo a atuação territorial do projeto.
  • Dar continuidade às oficinas científicas, com foco em ciência, tecnologia e inovação.
  • Desenvolver novas ações formativas para estudantes, ampliando as oportunidades de aprendizado e protagonismo.
  • Promover palestras e rodas de conversa com pesquisadoras e profissionais de diferentes áreas científicas.
  • Incentivar e viabilizar a participação das meninas em eventos científicos, feiras, congressos e encontros acadêmicos.
  • Fortalecer e ampliar as ações de divulgação científica, expandindo a presença e o impacto do projeto no Instagram e no site oficial.
  • Produzir podcasts com a participação das meninas do projeto e de cientistas mulheres, abordando a importância da diversidade de gênero e raça na ciência.
  • Levar a ciência cada vez mais longe, contribuindo para a transformação social, educacional e científica das participantes.

Retrospectiva de 2025: Ciência, Coisa de Menina

 

 

    Em 2025, o projeto Ciência, Coisa de Menina atendeu cerca de 200 estudantes matriculadas do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, distribuídas entre os cinco polos regionais: Poços de Caldas (MG), Penedo (AL), Salvador (BA), Tramandaí (RS) e Florianópolis (SC).

    O projeto promoveu três oficinas padronizadas em todas as cidades, com uma proposta imersiva que permitiu que as jovens explorassem de forma lúdica o universo científico. A Oficina de Metodologia Científica introduziu os fundamentos da investigação, preparando as alunas para pensar como pesquisadoras. Já a Oficina Química dos Aromas uniu teoria e prática, mostrando a química aplicada na confecção de perfumes. Por fim, a Oficina de Algoritmos abriu as portas do pensamento computacional, demonstrando como a lógica pode ser uma ferramenta criativa e transformadora.

    Além das atividades práticas, o ciclo de palestras trouxe vozes de referência para inspirar e provocar reflexões. Destaque para as participações de:

  • Adrianne Bastos, que abordou sua trajetória e os desafios das mulheres negras na ciência;
  • Kananda Eller, discutindo o papel da química frente às emergências climáticas;
  • Janaína de Mendonça, que debateu “Não somos uma democracia racial” e “Não somos todas iguais”.

Outro marco do ano foi a aproximação das alunas com o ambiente acadêmico. As participantes visitaram e conheceram de perto as instituições polo:

  • UNIFAL (Universidade Federal de Alfenas) – campus Poços de Caldas
  • UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – campus Tramandaí
  • UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) – campus Florianópolis
  • IFAL (Instituto Federal de Alagoas) – campus Penedo
  • IFBA (Instituto Federal da Bahia) – campus Salvador

Com o objetivo de ampliar seu alcance e aproximar ainda mais a comunidade do universo acadêmico e das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o projeto também marcou presença em eventos científicos, feiras e escolas locais ao longo de 2025. Essas participações foram estratégicas para apresentar a proposta do Ciência, Coisa de Menina ao público, inspirar novas estudantes e fortalecer o diálogo entre a universidade e a sociedade, criando pontes que estimulam o interesse científico desde cedo.

Além disso, as integrantes do projeto CCM demonstraram que a ciência vai muito além dos laboratórios. Elas produziram uma série de materiais de divulgação científica para a rede @cienciacoisademenina, levando conhecimento de forma acessível e inspiradora.

Em paralelo, as meninas do Colégio Municipal de Poços de Caldas colocaram a mão na massa pela comunidade. Durante a campanha do Outubro Rosa, organizaram uma bem-sucedida arrecadação de alimentos em prol do GAAPO (Grupo de Apoio a Pacientes Oncológicos), unindo conscientização à solidariedade prática. A iniciativa reforça nosso compromisso com uma ciência socialmente relevante e transformadora.

Em 2025, o Ciência, Coisa de Menina não só mostrou, como provou: a ciência é, sim, um espaço possível, inspirador e — sobretudo — pertencente a todas as meninas. Transformar essa perspectiva é o primeiro passo para reduzir a desigualdade de gênero na ciência e, assim, construir um futuro melhor.

Educação Científica e Equidade: Rompendo Barreiras de Gênero

 

 

A educação científica de qualidade é um pilar essencial para o desenvolvimento de uma sociedade justa, crítica e inovadora. Ela capacita indivíduos a questionarem o mundo, a tomarem decisões informadas e a participarem ativamente da construção do conhecimento. No entanto, tanto o acesso a essa educação quanto a permanência e a progressão profissional nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) ainda são marcados por profundas desigualdades de gênero.

A equidade na educação científica busca garantir que todas as pessoas tenham oportunidades justas, considerando as diferentes realidades sociais e enfrentando barreiras estruturais historicamente construídas. No contexto das áreas de STEM, dados nacionais e internacionais evidenciam que meninas e mulheres permanecem sub-representadas, especialmente nas ciências exatas, na tecnologia e na engenharia. Essa disparidade não reflete uma menor capacidade ou interesse, mas resulta de fatores sociais, culturais e educacionais que influenciam escolhas e trajetórias desde a infância.

Um dos principais obstáculos enfrentados é a persistência de estereótipos de gênero que associam a ciência e a tecnologia à masculinidade. Essas ideias são transmitidas precocemente e impactam diretamente a formação da identidade científica das meninas, reduzindo sua autoeficácia, isto é, a crença em sua própria capacidade de aprender e ter sucesso em áreas consideradas difíceis. A ausência de referências femininas nos currículos escolares, nos materiais didáticos e na mídia reforça esse cenário, dificultando que meninas se reconheçam como possíveis cientistas, engenheiras ou inventoras.

Para promover a equidade de forma efetiva, é necessário ir além da igualdade formal de acesso e investir em ações que enfrentem as causas das desigualdades. Isso inclui a revisão de currículos e práticas pedagógicas, de modo que o ensino de ciências seja contextualizado e conectado a problemas reais da sociedade, tornando-se mais significativo e inclusivo. Também é fundamental dar visibilidade às contribuições de mulheres na ciência, tanto históricas quanto contemporâneas, contribuindo para a desconstrução de estereótipos e para o fortalecimento da representatividade.

Além disso, a construção de ambientes de aprendizagem acolhedores, nos quais meninas se sintam encorajadas a participar, questionar e errar sem julgamentos, é essencial. Metodologias ativas, como o aprendizado baseado em projetos e a investigação científica, favorecem o engajamento e a confiança das estudantes. Programas de mentoria com mulheres atuantes nas áreas científicas e tecnológicas também desempenham um papel crucial, ao oferecer orientação, apoio emocional e exemplos concretos de trajetórias possíveis.

Investir na equidade na educação científica não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia fundamental para impulsionar a inovação e o desenvolvimento. Ao garantir que todas as mentes talentosas, independentemente do gênero, tenham condições de se desenvolver plenamente, ampliamos o potencial da ciência e da tecnologia para responder aos desafios contemporâneos e promover benefícios para toda a sociedade.

Referências

UNESCO. Cracking the code: educação de meninas e mulheres em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Paris, 2017.

Zúñiga-Mejías, Vanessa; Huincahue, Jaime. Estereótipos de gênero em STEM e seus impactos na educação básica. Educação e Pesquisa, 2024.

Ferreira, Rogelma Maria da Silva. Estereótipos de gênero e o interesse de alunas por ciências exatas e tecnológicas. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, 2023.

Lima, Mayara L. de F.; Aquino, Rafael S. de; Leão, Ana M. dos A. C. STEM e questões de gênero: reflexões e desafios para a equidade. Revista Contexto & Educação, 2025.

Oliveira, Elisabete R. B. de; Gava, Thais; Unbehaum, Sandra. Educação STEM e gênero: contribuições para o debate brasileiro. Cadernos de Pesquisa, 2020.

 

Antirracismo: Um Compromisso Coletivo e Inadiável

 

 

    A formação do Brasil ocorreu dentro de uma lógica política, científica e econômica sustentada por estruturas de dominação, exploração e devastação colonial. Desde o início, o país foi moldado por uma cultura imperialista, racista, eugenista e higienista. Considerando os 521 anos desde a invasão portuguesa, dos quais 388 foram marcados pela escravidão, até sua abolição formal em 1888 e outros 100 até a promulgação da Constituição Federal de 1988, que finalmente reconheceu os direitos das maiorias historicamente minorizadas, torna-se evidente que apenas 33 anos se passaram sob um marco legal que afirma, ainda que tardiamente, a diversidade racial e uma concepção democrática de cidadania. No entanto, para muitas pessoas, é mais fácil sustentar a crença equivocada de que pessoas negras, indígenas, mulheres, gays, lésbicas e populações pobres são inferiores, do que reconhecer que as violências que as atravessam são resultado de um longo e brutal processo colonial de exploração (ALVES, et al., 2022).

Desse modo, a estrutura racista que atravessa a sociedade brasileira não é acidental: ela é fruto de séculos de exploração e de um projeto historicamente planejado para consolidar relações de dominação e subalternidade envolvendo pessoas negras (pretas e pardas), indígenas e comunidades quilombolas. Seus efeitos permanecem visíveis no cotidiano, como destaca a cartilha antirracista (2023), elaborada por alunos, em sua maioria voluntários, sob coordenação do Projeto Letramento Racial como forma de Enfrentamento ao Racismo, vinculado ao Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará. Segundo o material, o racismo se manifesta quando uma pessoa negra, ou um grupo de pessoas negras, é submetido a constrangimentos, discriminações ou violências, físicas ou verbais, motivadas exclusivamente por seu pertencimento racial.

Diante desse cenário histórico brasileiro de opressão, que segue negando direitos, todos nós temos o dever de sermos antirracistas. Djamila Ribeiro, filósofa, escritora e ativista feminista brasileira, enfatiza que ser antirracista exige ação concreta; não se trata de um adjetivo associado ao próprio nome, mas de um verbo, um compromisso cotidiano. Não basta apenas “não ser racista”: é necessário agir de forma sistemática contra o racismo — questionando piadas, silêncios, estruturas e escolhas que o sustentam. Esse compromisso envolve vigilância constante sobre as próprias atitudes e disposição para reconhecer privilégios. Inclui, também, compreender que a linguagem carrega valores sociais e, por isso, deve ser usada de maneira crítica, abandonando expressões racistas como “ela é negra, mas é bonita”. Ser antirracista implica pesquisar, estudar produções de intelectuais negros e promover diálogos dentro de casa, com a família e com as crianças. Significa, ainda, apresentar às crianças obras literárias com personagens negros que rompam com estereótipos e assegurar que as escolas cumpram a Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira (Ribeiro, 2019).

Nesse contexto, o antirracismo configura-se como a oposição ativa ao racismo, ao preconceito, à discriminação racial e às ideologias que os sustentam. Trata-se de uma ferramenta fundamental para a construção da justiça racial e para o fortalecimento de uma sociedade verdadeiramente democrática, justa e diversa (Cartilha Antirracista, 2023). Uma educação antirracista, conforme defende Bárbara Carine em Como Ser um Educador Antirracista, não se limita a promover inclusão formal. Ela propõe uma escola “implosiva”, que questiona e desmantela as estruturas que historicamente sustentam desigualdades raciais. Mais do que inserir “o diferente” no modelo já dado, trata-se de reconstruir a escola de forma coletiva, repensando currículos, práticas pedagógicas, relações de poder e modos de produzir conhecimento, para que a instituição se torne, de fato, espaço de justiça, equidade e transformação social.

O rapper Emicida diz “A pé, trilha em brasa e barranco, que pena. Se até pra sonhar tem entrave. A felicidade do branco é plena. A felicidade do preto é quase”, descrevendo genuinamente a profundidade com que o sistema racista no Brasil dilacera as minorias.

Por fim, é somente por meio de uma educação antirracista, compromisso político e responsabilidade de toda a sociedade, que será possível enfrentar efetivamente o racismo no Brasil. Para isso, é fundamental compreender o funcionamento de suas estruturas, de modo a agir de forma consciente e constante na construção de práticas verdadeiramente antirracistas.

Referências

ALVES, Adeir Ferreira; MACEDO, Aldenora Conceição; CARDOSO, Elna Dias. “É Preciso Ser Antirracista”. Caderno de apoio para práticas pedagógicas de enfrentamento e combate ao racismo na escola: Implementando a Lei 10.639 de 2003. 128p. 2022. ISBN 978-65-999227-0-1

Cartilha antirracista. Projeto letramento racial: como forma de combate ao racismo / Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências Jurídicas, Projeto Letramento Racial. – Belém: ICJ/UFPA, 58p. 2023.

PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta do Brasil,160p. 2023. ISBN: 09788542221251.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. Editora: Companhia das Letras. 136 p. 2019. ISBN -10: 8535932879