Violência contra as mulheres no Brasil: o que os dados revelam

Março é um mês de visibilidade, luta e memória. Quando falamos sobre mulheres neste período, é comum destacar conquistas, trajetórias inspiradoras e avanços importantes. Mas também é necessário olhar para aquilo que ainda precisa ser transformado com urgência. Falar sobre a violência contra as mulheres em março é, portanto, uma escolha necessária: não existe celebração verdadeira enquanto tantas mulheres continuam tendo suas vidas marcadas pelo medo, pela dor e pela desigualdade.Os dados revelam que esse não é um problema isolado, privado ou eventual. Em escala global, quase 1 em cada 3 mulheres já sofreu violência física e/ou sexual ao longo da vida, geralmente praticada por parceiros íntimos. Nas Américas, a violência por parceiro íntimo segue sendo uma das formas mais comuns dessa violação de direitos. Isso mostra que a violência contra as mulheres não é uma exceção. Ela faz parte de uma realidade dura, constante e presente em diferentes países, culturas e espaços sociais.

 

No Brasil, a situação também é muito preocupante. Levantamentos recentes indicam que milhões de mulheres seguem expostas a agressões físicas, psicológicas e sexuais. Segundo dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 40,7% das mulheres com 16anos ou mais já sofreram violência física, sexual e/ou psicológica praticada por parceiro íntimo ou ex-parceiro ao longo da vida. Além disso, bases recentes organizadas pelo Instituto Patrícia Galvão apontam que mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2024. Esses números mostram que a violência contra a mulher está presente no cotidiano e afeta profundamente a vida de quem passa por isso.

Esses números não se resumem a estatísticas. Eles correspondem a histórias interrompidas, rotinas marcadas pelo medo, trajetórias escolares e profissionais afetadas, vínculos familiares abalados e projetos de vida que passam a ser reorganizados em função da sobrevivência. A violência produz impactos emocionais profundos, como ansiedade, depressão, culpa, medo crônico e perda da autoestima. No plano social, pode gerar isolamento, afastamento dos espaços públicos e enfraquecimento das redes de apoio. 

Também é importante compreender que a violência nem sempre começa com a agressão física. Muitas vezes, ela se inicia nas palavras, nas humilhações, no controle, na desqualificação e nas tentativas de silenciamento. No ambiente digital, esse processo tem ganhado novas formas e escalas.O crescimento do discurso de ódio contra as mulheres nas redes sociais ajuda a normalizar a violência, reforça ideias de inferioridade feminina e pode até incentivar agressões fora da internet.

O espaço digital se tornou um lugar onde muitas mulheres sofrem ataques misóginos, ameaças, exposição de imagens sem consentimento, mentiras criadas para destruir sua imagem e campanhas organizadas para intimidar e silenciar. Essas violências não são menores só porque acontecem na internet. Elas ferem, assustam, deixam marcas profundas e aumentam a sensação de insegurança. Quando esse tipo de ataque se repete todos os dias, ele ajuda a tornar a violência algo comum aos olhos de muitas pessoas, quando na verdade deveria ser combatida com firmeza.

Falar sobre isso em uma iniciativa como o Ciência, Coisa de Menina também é afirmar que a produção do conhecimento não está separada da realidade. Discutir violência de gênero é discutir direitos humanos, saúde pública, educação, justiça social, tecnologia e democracia. É reconhecer que meninas e mulheres só podem participar da ciência, da escola, da universidade e da vida pública quando têm garantidas condições mínimas de dignidade, segurança e liberdade.

#CiênciaCoisaDeMenina #MulheresNaCiência #CiênciaETecnologia #TransformaçãoSocial #DireitosDasMulheres #IgualdadeDeGênero #MarçoMulher #ViolênciaContraAMulher #DadosQueImportam #MulheresNoBrasil #Feminicídio #ViolênciaDeGênero #DireitosHumanos #ProteçãoÀMulher

Um novo ano para sonhar, descobrir e transformar: o que esperamos para o Ciência, Coisa de Menina

Todo início de ano traz consigo a sensação de recomeço. É o momento em que olhamos para trás, reconhecemos o caminho percorrido e, ao mesmo tempo, abrimos espaço para novos sonhos, novas perguntas e novas possibilidades. No Ciência, Coisa de Menina, esse movimento é ainda mais significativo, porque cada passo dado representa uma menina que passou a se enxergar como parte da ciência.

Ao longo do último ano, acompanhamos histórias potentes de transformação. Meninas que tiveram o primeiro contato com experimentos científicos, que entraram pela primeira vez em uma universidade, que conversaram com pesquisadoras, que descobriram que a curiosidade que carregam desde pequenas pode se tornar um caminho possível de estudo, profissão e realização pessoal. Esses encontros nos mostram que a ciência muda vidas quando é apresentada com afeto, escuta e pertencimento.

Encerrar um ciclo é também reconhecer que a ciência não se constrói sozinha. Ela nasce do coletivo, das trocas, das perguntas feitas sem medo e do incentivo constante para que meninas ocupem espaços historicamente negados a elas. É com esse espírito que iniciamos um novo ano: com gratidão pelo que foi vivido e com entusiasmo pelo que ainda queremos construir.

O que queremos fortalecer e ampliar neste novo an0

O Ciêncioa, Coisa de Menina nasce da certeza de que meninas são capazes de fazer ciência desde cedo, desde que tenham oportunidades, referências e ambientes seguros para explorar suas ideias. Para este novo ano, nosso desejo é aprofundar esse compromisso e ampliar nosso alcance.

Queremos ver o projeto crescendo em diferentes frentes:

  • Mais acesso à ciência em territórios diversos, chegando a escolas, comunidades e espaços onde o contato com a universidade e a pesquisa ainda é limitado;

  • Atividades práticas e experimentais, que estimulem o aprender fazendo, despertando a curiosidade científica de forma concreta e divertida;

  • Maior aproximação entre meninas e mulheres cientistas, criando vínculos, referências reais e diálogos inspiradores;

  • Espaços de escuta e expressão, onde as próprias meninas possam falar sobre seus sonhos, inseguranças, descobertas e perguntas;

  • Fortalecimento da divulgação científica, mostrando que ciência também é linguagem, comunicação, criatividade e transformação social.

Mais do que formar futuras cientistas, queremos formar meninas confiantes, que saibam que a ciência pode ser um caminho possível, mas que, acima de tudo, reconheçam o próprio valor, sua capacidade de pensar criticamente e de ocupar qualquer espaço que desejarem.

A importância das referências: ver para se reconhecer

Um dos pilares do Ciência, Coisa de Menina é a construção de referências. Quando uma menina vê outra mulher fazendo ciência, liderando pesquisas, explorando o mundo, ela passa a imaginar: “eu também posso estar ali”. Esse processo de identificação é poderoso e necessário.

Nesse sentido, os momentos de pausa, como as férias, também podem ser oportunidades de aprendizado e inspiração. Assistir a filmes e documentários que retratam histórias reais de mulheres na ciência, na educação e na luta por direitos é uma forma de ampliar horizontes e fortalecer sonhos.

Resenha do documentário As Cientistas (2021)

O documentário As Cientistas apresenta histórias reais de mulheres brasileiras que atuam na ciência em diferentes áreas do conhecimento. Ao longo do filme, conhecemos pesquisadoras que trabalham com biologia, física, química, saúde, educação e outras áreas, mostrando que a ciência no Brasil também é feita por mulheres, com dedicação, esforço e compromisso com a sociedade.

O documentário mostra que o caminho da ciência nem sempre é fácil. Muitas das cientistas relatam dificuldades como a falta de reconhecimento, o machismo dentro das universidades, a escassez de recursos para pesquisa e a necessidade de conciliar trabalho, estudos e vida pessoal. Esses relatos ajudam o público a entender que os desafios enfrentados pelas mulheres na ciência não são individuais, mas fazem parte de uma realidade ainda desigual.

Mesmo diante dessas dificuldades, o filme destaca a força, a persistência e a paixão dessas mulheres pelo que fazem. As cientistas compartilham como suas pesquisas contribuem diretamente para a melhoria da vida das pessoas, seja na área da saúde, do meio ambiente ou da educação. Isso reforça a ideia de que a ciência está presente no dia a dia e tem um papel fundamental na construção de uma sociedade melhor.

Um ponto muito importante do documentário é a forma como ele aproxima a ciência das pessoas. Ao mostrar cientistas brasileiras falando de suas próprias histórias, o filme ajuda meninas e jovens a se identificarem com essas trajetórias. Ver mulheres reais ocupando espaços científicos faz com que outras meninas possam imaginar esse caminho para si mesmas e perceber que a ciência também pode ser um sonho possível.

Além disso, o documentário chama a atenção para a importância de apoiar a presença feminina na ciência. Ele mostra como o incentivo, o acesso à educação e a valorização das pesquisadoras são essenciais para que mais mulheres permaneçam e cresçam nesse campo. A diversidade, como o filme deixa claro, fortalece a ciência e amplia as possibilidades de inovação.

As Cientistas é um documentário inspirador, que informa, emociona e provoca reflexão. Ele é uma excelente ferramenta para ser usada em escolas, projetos sociais e iniciativas de divulgação científica, pois ajuda a construir uma visão mais justa e inclusiva sobre quem faz ciência no Brasil.

Ao final, o filme nos lembra que a ciência não é feita apenas de números, fórmulas e laboratórios, mas também de pessoas, histórias e sonhos. E que meninas precisam crescer sabendo que suas perguntas importam e que a ciência também é um lugar para elas.

Seguimos juntas, com curiosidade e esperança

Começar um novo ano no Ciência, Coisa de Menina é reafirmar um compromisso coletivo: o de continuar abrindo caminhos, construindo pontes e fortalecendo sonhos. Seguimos acreditando que a ciência é, sim, coisa de menina e que cada experiência, cada conversa e cada descoberta contribui para um futuro mais diverso, justo e inclusivo.

Que este seja um ano de mais perguntas do que respostas prontas, de mais encontros, de mais descobertas e de mais meninas se reconhecendo como parte da ciência.

Seguimos juntas. Porque o futuro se constrói agora e ele também é feito por meninas. 💜🔬

Especial Ciência, Coisa de Menina 2025

 

 

A ciência brasileira ganha novas cores, vozes e perspectivas quando abrimos as portas para o talento feminino desde cedo. O projeto Ciência Coisa de Menina tem sido um divisor de águas na vida de jovens em todo o país, provando que o laboratório, a pesquisa e a inovação são espaços de direito de toda mulher.

Para entender a dimensão dessa transformação, reunimos depoimentos de participantes de diferentes polos e regiões. Elas compartilham suas experiências, os momentos que marcaram sua trajetória em 2025 e como o projeto ajudou a moldar suas visões de mundo.

Polo Tramandaí – UFRGS

Júlia Yasmin Maciel Licks, 18 anos
“O projeto Ciência, Coisa de Menina me mostrou que a ciência também é o meu lugar, e que quando uma menina acredita no seu potencial, ela transforma o futuro. O momento que mais me marcou no projeto foi a confecção de perfumes. Foi uma experiência única, criativa e cheia de descobertas. Poder transformar ideias em algo real, com minhas próprias mãos, me fez sentir ainda mais conectada com a ciência e perceber o quanto ela pode ser divertida, prática e inspiradora. O projeto tem um impacto enorme em nível nacional, pois incentiva meninas de diferentes regiões do país a acreditarem em seu potencial científico. Ele abre portas, promove representatividade, cria oportunidades de aprendizagem e mostra que meninas podem e devem ocupar espaços importantes no mundo da ciência. Ao unir polos de várias regiões, o projeto fortalece a presença feminina na ciência e contribui para a construção de um futuro mais diverso, criativo e igualitário para todo o Brasil.”

Yasmin Nunes da Silva, 19 anos
“Participar do projeto Ciência: Coisa de Menina me abriu muitas portas, muitas oportunidades e experiências novas. Posso dizer que faço parte de um projeto que é como uma família para mim. É uma honra enorme estar nesse projeto, que é muito importante e especial para mim. O que mais me marcou neste 2025 com o projeto foi a minha primeira visita à UFRGS do litoral. Foi uma experiência maravilhosa! Fomos convidadas a assistir a uma palestra incrível, e para mim, isso foi marcante. Eu espero que esse projeto possa se expandir para fora do país e mostrar para outras meninas esse mundo maravilhoso da ciência, repleto de experiências, amor e empatia umas pelas outras. Afinal, isso é o que resume o Ciência é Coisa de Menina!”

Sophia Dourado, 18 anos
“O projeto foi importante para mim porque me deu a oportunidade de conhecer muitas pessoas legais, aprender coisas novas e me incentivou a sempre procurar superar as minhas próprias expectativas. Participei de oficinas muito legais, como a do perfume, e me diverti muito nesse projeto!”

Polo Poços de Caldas – Unifal

Ana Julia Faria Fernandes, 18 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina me ensinou e me mostrou caminhos nos quais posso ingressar e me capacitar para alcançar meus sonhos e desejos, além de mostrar que toda mulher mostra que toda mulher pode ser cientista.”

Maria Luiza Maciel, 18 anos
“Em 2025, o projeto Ciência: Coisa de Menina me mostrou quem eu posso ser: uma menina que questiona, descobre e transforma, e que faz parte de um movimento que inspira outras meninas em todo o país.”

 

Polo Florianópolis – UFSC 

Eduarda Valenthini, 16 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina, foi a porta que eu precisava para adentrar ainda mais no mundo científico. Com o projeto, aprendi com mulheres incríveis o quanto somos, sim, importantes e necessárias em ambientes que, por tanto tempo, nos foram negados.”

Maria Luiza Silva Souza, 15 anos
“O projeto é muito significativo no sentido de conscientização, ajuda muito em mostrar que qualquer um pode sim entrar na ciência independente de sua cor, gênero ou sexualidade. Isso por si é muito bonito e motiva outras pessoas à entrarem nesse meio, pessoas que não teriam tantas oportunidades.”

 

Polo Salvador – IFBA

Alyne Silva Lopes, 21 anos
“‘O que é ser mulher?’ Para além da ciência, o projeto CCM também impacta no nosso senso crítico sobre o universo feminino, como a sociedade o molda e como nós podemos nos libertar disso.”

Taíssa Santos e Santos, 19 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina representa a oportunidade de me reconhecer como parte da ciência, de entender que o meu lugar também é nos laboratórios, nas pesquisas e nas descobertas. O que mais me marcou foi perceber o quanto somos capazes quando recebemos incentivo, apoio e conhecimento, além das experiências práticas que fortaleceram a minha confiança e o meu interesse pela ciência.”

Polo Penedo – IFAL

Letícia Oliveira Veras (17 anos) e Letycya Gabryella Santos (16 anos)
A frase é: ”A ciência também se constrói com mãos femininas”

 

O Futuro é Feminino e Científico! Os relatos dessas jovens deixam claro que o Ciência Coisa de Menina vai muito além de oficinas e palestras: trata-se de um movimento de emancipação. Ao oferecer ferramentas, representatividade e uma rede de apoio, o projeto está formando não apenas futuras cientistas, mas cidadãs críticas e confiantes.

A ciência brasileira só tem a ganhar com essa diversidade. Afinal, como as próprias participantes afirmam: o futuro se transforma quando uma menina acredita no seu potencial.

Encerramento do Ano e Metas para 2026

 

 

Ao encerrarmos mais um ano de atividades do Ciência, coisa de menina, queremos expressar nossa profunda gratidão a todas as pessoas que tornaram essa trajetória possível. Cada conquista alcançada é resultado de um esforço coletivo, construído com compromisso, sensibilidade, dedicação e trabalho em rede.

Pesquisadoras, professoras, estudantes, técnicas, bolsistas, apoiadores institucionais e parceiros caminharam juntos, contribuindo com saberes, tempo, escuta e afeto para fortalecer um projeto que tem como propósito ampliar a diversidade de gênero na ciência brasileira. Ao longo deste ano, avançamos não apenas em ações, oficinas, formações e mentorias, mas também em aprendizados, trocas e na construção de novos olhares sobre o fazer científico.

O Ciência, coisa de menina reafirma seu compromisso com a formação de alunas do ensino fundamental II e do ensino médio de escolas públicas das regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, por meio de um programa de mentoria científica assistida. Nossa grande meta que orienta cada ação desenvolvida é contribuir para a transformação da percepção que essas estudantes têm da carreira científica, mostrando que a Universidade é um espaço de entrada, permanência, pertencimento e produção de conhecimento, e não apenas um caminho de qualificação da mão de obra.

Os resultados alcançados ao longo deste ano demonstram a força do trabalho coletivo e a potência de iniciativas que acreditam na ciência como ferramenta de transformação social. Cada encontro, cada oficina, cada conversa e cada conquista reforçam que estamos no caminho certo.

A todos e todas que fizeram parte dessa jornada, nosso muito obrigada. Que o próximo ano seja repleto de novas oportunidades, descobertas, aprendizados e avanços, e que possamos seguir fortalecendo uma ciência mais diversa, inclusiva e comprometida com a equidade.

Desejamos um Ano Novo próspero, com saúde, esperança e muitas novas descobertas científicas.
Atenciosamente: Coordenação do Projeto Ciência, coisa de menina

Metas do Ciência, coisa de menina para 2026:

  • Ampliar o alcance do projeto, envolvendo um número ainda maior de meninas e comunidades.
  • Implantar dois novos polos do Ciência, coisa de menina, fortalecendo a atuação territorial do projeto.
  • Dar continuidade às oficinas científicas, com foco em ciência, tecnologia e inovação.
  • Desenvolver novas ações formativas para estudantes, ampliando as oportunidades de aprendizado e protagonismo.
  • Promover palestras e rodas de conversa com pesquisadoras e profissionais de diferentes áreas científicas.
  • Incentivar e viabilizar a participação das meninas em eventos científicos, feiras, congressos e encontros acadêmicos.
  • Fortalecer e ampliar as ações de divulgação científica, expandindo a presença e o impacto do projeto no Instagram e no site oficial.
  • Produzir podcasts com a participação das meninas do projeto e de cientistas mulheres, abordando a importância da diversidade de gênero e raça na ciência.
  • Levar a ciência cada vez mais longe, contribuindo para a transformação social, educacional e científica das participantes.