Como identificar um relacionamento abusivo: sinais que não podem ser ignorados

Nem toda violência deixa marcas visíveis no corpo. Muitas vezes, ela começa de forma silenciosa, em atitudes que parecem pequenas no início, mas que, com o tempo, passam a controlar, ferir e destruir a autoestima da vítima. Por isso, falar sobre relacionamento abusivo é tão importante. Reconhecer os sinais pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de dor que, em muitos casos, vai crescendo aos poucos.

A violência doméstica não se resume à agressão física. Pela Lei Maria da Penha, ela inclui também a violência psicológica, sexual, moral e patrimonial. Isso significa que humilhar, ameaçar, controlar, perseguir, isolar, destruir objetos, impedir o acesso ao dinheiro ou desmoralizar uma mulher também são formas de violência. Muitas dessas atitudes ainda são tratadas como “ciúme”, “briga de casal” ou “exagero”, quando na verdade são sinais sérios de abuso.

Um dos pontos mais importantes para entender esse tema é o chamado ciclo da violência. De acordo com materiais de referência sobre o assunto, esse ciclo costuma acontecer em fases. Primeiro vem o aumento da tensão: o agressor fica irritado, faz ameaças, humilha, controla e cria um ambiente de medo. Depois acontece a explosão, quando surgem agressões mais graves, verbais, psicológicas, físicas ou sexuais. Em seguida pode vir um momento de aparente calma, em que o agressor pede desculpas, promete mudar e demonstra carinho. Essa fase, às vezes chamada de “lua de mel”, pode fazer a vítima acreditar que a situação vai melhorar. Mas, sem ruptura e apoio, o ciclo costuma recomeçar.

Os sinais de alerta podem aparecer antes mesmo de uma agressão mais evidente. Controlar roupas, amizades, horários e redes sociais; exigir senhas; afastar a mulher da família; fazer ameaças disfarçadas; desvalorizar sua opinião; culpar a vítima por tudo; sentir ciúme excessivo; impedir que ela trabalhe ou estude; controlar seu dinheiro; e tratar o medo da mulher como algo normal são sinais que não podem ser ignorados. Em muitos casos, o abuso cresce justamente porque essas atitudes são naturalizadas.

Muita gente se pergunta por que é tão difícil sair de um relacionamento abusivo. Mas essa pergunta precisa ser feita com cuidado. Sair nem sempre depende apenas de vontade. O medo de agressões ainda piores, a dependência financeira, a presença de filhos, a esperança de mudança, a culpa, a vergonha, o isolamento e a falta de apoio fazem com que esse processo seja muito mais complexo do que parece para quem olha de fora. Em vez de julgamento, o que uma vítima precisa é de acolhimento, escuta e proteção.

Também é fundamental dizer com clareza: a culpa nunca é da vítima. Nenhuma roupa, palavra, escolha ou tentativa de manter a relação justifica violência. A responsabilidade é sempre de quem agride. Repetir essa verdade é necessário porque uma das formas mais cruéis de abuso é justamente fazer a mulher acreditar que ela causou a violência que sofreu. Esse tipo de manipulação machuca profundamente e dificulta ainda mais a busca por ajuda.

Falar sobre isso é uma forma de proteção. Quando aprendemos a identificar os sinais, ajudamos a romper o silêncio, combater a normalização da violência e fortalecer meninas e mulheres para que reconheçam que amor não combina com medo, controle ou humilhação. Relacionamentos saudáveis são construídos com respeito, liberdade, cuidado e segurança, nunca com ameaça e dor.

Não se cale, denuncie.

#CiênciaCoisaDeMenina #MulheresNaCiência #CiênciaETecnologia #TransformaçãoSocial #DireitosDasMulheres #IgualdadeDeGênero #MarçoMulher #ViolênciaContraAMulher #DadosQueImportam #MulheresNoBrasil #Feminicídio #ViolênciaDeGênero #DireitosHumanos #ProteçãoÀMulher

Não é sobre flores. É sobre vidas e direitos

Em março, é comum ver homenagens, mensagens bonitas e flores. Mas falar sobre as mulheres não pode se limitar a gestos simbólicos. Esse mês precisa ser, acima de tudo, um momento de lembrar que milhões de mulheres ainda vivem com medo, enfrentam violência e têm seus direitos negados todos os dias. Por isso, dizer que não é sobre flores, é sobre vidas e direitos é lembrar que a luta das mulheres vai muito além da celebração: ela fala de dignidade, respeito, proteção e igualdade real.

Falar sobre direitos das mulheres é falar sobre liberdade, segurança, respeito e acesso igual aos espaços da sociedade. É por isso que a igualdade de gênero ocupa um lugar central na Agenda 2030 da ONU. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) propõe “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”, incluindo metas como acabar com a discriminação e eliminar todas as formas de violência contra mulheres e meninas, tanto nos espaços públicos quanto nos privados. Ou seja: não existe igualdade real enquanto a violência continuar fazendo parte da vida de tantas mulheres.

Essa ligação entre igualdade de gênero e combate à violência é direta. A violência não aparece por acaso. Ela nasce e cresce em uma sociedade que ainda trata mulheres como inferiores, menos capazes ou menos dignas de respeito. Quando meninas e mulheres têm seus corpos controlados, suas vozes desvalorizadas e seus direitos questionados, a violência encontra espaço para existir. Por isso, combater a violência não é apenas punir agressões: é também mudar ideias, práticas e estruturas que sustentam essa desigualdade.

Isso deixa claro que o ODS 5 não é uma meta distante ou apenas teórica. Ele responde a problemas concretos, urgentes e cotidianos. Garantir igualdade de gênero significa criar condições para que meninas cresçam sem medo, estudem com liberdade, façam escolhas sobre a própria vida e ocupem espaços na ciência, na política, na escola, no trabalho e onde quiserem estar. E isso só é possível quando seus direitos são protegidos de verdade.

Também é importante lembrar que a igualdade de gênero não beneficia apenas as mulheres. Ela fortalece toda a sociedade. Quando há mais justiça, mais acesso à educação, mais proteção e mais oportunidades, todos ganham. Sociedades mais iguais tendem a ser mais democráticas, mais saudáveis e mais humanas. Por isso, o enfrentamento da violência contra as mulheres não deve ser visto como um tema “particular” ou “de interesse só das mulheres”, mas como um compromisso coletivo com os direitos humanos.

Nesse sentido, março precisa ser mais do que um mês de lembrança. Precisa ser um momento de escuta, reflexão e ação. Flores podem ser gentis, mas não substituem políticas públicas, redes de apoio, educação para o respeito e compromisso com a transformação social. O que está em jogo não é uma homenagem passageira. São vidas, direitos e a possibilidade de construir um futuro em que meninas e mulheres possam existir com dignidade, segurança e liberdade.

Não se cale, denuncie.

#CiênciaCoisaDeMenina #MulheresNaCiência #CiênciaETecnologia #TransformaçãoSocial #DireitosDasMulheres #IgualdadeDeGênero #MarçoMulher #ViolênciaContraAMulher #DadosQueImportam #MulheresNoBrasil #Feminicídio #ViolênciaDeGênero #DireitosHumanos #ProteçãoÀMulher

 

Violência contra as mulheres no Brasil: o que os dados revelam

Março é um mês de visibilidade, luta e memória. Quando falamos sobre mulheres neste período, é comum destacar conquistas, trajetórias inspiradoras e avanços importantes. Mas também é necessário olhar para aquilo que ainda precisa ser transformado com urgência. Falar sobre a violência contra as mulheres em março é, portanto, uma escolha necessária: não existe celebração verdadeira enquanto tantas mulheres continuam tendo suas vidas marcadas pelo medo, pela dor e pela desigualdade.Os dados revelam que esse não é um problema isolado, privado ou eventual. Em escala global, quase 1 em cada 3 mulheres já sofreu violência física e/ou sexual ao longo da vida, geralmente praticada por parceiros íntimos. Nas Américas, a violência por parceiro íntimo segue sendo uma das formas mais comuns dessa violação de direitos. Isso mostra que a violência contra as mulheres não é uma exceção. Ela faz parte de uma realidade dura, constante e presente em diferentes países, culturas e espaços sociais.

 

No Brasil, a situação também é muito preocupante. Levantamentos recentes indicam que milhões de mulheres seguem expostas a agressões físicas, psicológicas e sexuais. Segundo dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 40,7% das mulheres com 16anos ou mais já sofreram violência física, sexual e/ou psicológica praticada por parceiro íntimo ou ex-parceiro ao longo da vida. Além disso, bases recentes organizadas pelo Instituto Patrícia Galvão apontam que mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2024. Esses números mostram que a violência contra a mulher está presente no cotidiano e afeta profundamente a vida de quem passa por isso.

Esses números não se resumem a estatísticas. Eles correspondem a histórias interrompidas, rotinas marcadas pelo medo, trajetórias escolares e profissionais afetadas, vínculos familiares abalados e projetos de vida que passam a ser reorganizados em função da sobrevivência. A violência produz impactos emocionais profundos, como ansiedade, depressão, culpa, medo crônico e perda da autoestima. No plano social, pode gerar isolamento, afastamento dos espaços públicos e enfraquecimento das redes de apoio. 

Também é importante compreender que a violência nem sempre começa com a agressão física. Muitas vezes, ela se inicia nas palavras, nas humilhações, no controle, na desqualificação e nas tentativas de silenciamento. No ambiente digital, esse processo tem ganhado novas formas e escalas.O crescimento do discurso de ódio contra as mulheres nas redes sociais ajuda a normalizar a violência, reforça ideias de inferioridade feminina e pode até incentivar agressões fora da internet.

O espaço digital se tornou um lugar onde muitas mulheres sofrem ataques misóginos, ameaças, exposição de imagens sem consentimento, mentiras criadas para destruir sua imagem e campanhas organizadas para intimidar e silenciar. Essas violências não são menores só porque acontecem na internet. Elas ferem, assustam, deixam marcas profundas e aumentam a sensação de insegurança. Quando esse tipo de ataque se repete todos os dias, ele ajuda a tornar a violência algo comum aos olhos de muitas pessoas, quando na verdade deveria ser combatida com firmeza.

Falar sobre isso em uma iniciativa como o Ciência, Coisa de Menina também é afirmar que a produção do conhecimento não está separada da realidade. Discutir violência de gênero é discutir direitos humanos, saúde pública, educação, justiça social, tecnologia e democracia. É reconhecer que meninas e mulheres só podem participar da ciência, da escola, da universidade e da vida pública quando têm garantidas condições mínimas de dignidade, segurança e liberdade.

#CiênciaCoisaDeMenina #MulheresNaCiência #CiênciaETecnologia #TransformaçãoSocial #DireitosDasMulheres #IgualdadeDeGênero #MarçoMulher #ViolênciaContraAMulher #DadosQueImportam #MulheresNoBrasil #Feminicídio #ViolênciaDeGênero #DireitosHumanos #ProteçãoÀMulher

Dia Nacional das Meninas e Mulheres na Ciência: de reflexões a soluções

Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Nacional das Meninas e Mulheres na Ciência foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano de 2015 com o objetivo principal de chamar a atenção do mundo para um desafio que ainda persiste: a desigualdade de gênero na ciência. A data não é apenas comemorativa — ela é, acima de tudo, um convite à reflexão e à solução.

A Ciência e o Protagonismo Feminino no Mundo.

A ciência está relacionada ao poder das nações e às importantes decisões que influenciam a sociedade. Assim, a participação de meninas e mulheres na ciência torna-se um elemento importante para determinar os rumos da sociedade.

Dados recentes da UNESCO mostram que, embora as mulheres sejam maioria no ensino superior em grande parte do mundo, elas representam apenas cerca de 35% dos graduados nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Quando olhamos para a carreira científica, a desigualdade se torna ainda mais evidente: apenas um terço dos pesquisadores no mundo são mulheres.

Esses números não indicam falta de interesse ou de capacidade. Pelo contrário: meninas e mulheres demonstram, desde cedo, curiosidade, criatividade e grande potencial para as áreas STEM. O que frequentemente falta não é interesse, mas acesso. Faltam oportunidades reais, incentivos contínuos, referências femininas visíveis e ambientes que acolham, estimulem e reconheçam suas trajetórias.

Mais do que números, estamos falando de histórias, sonhos e futuros possíveis. Investir em meninas e mulheres na ciência é investir em inovação, diversidade e justiça social. De acordo com a UNESCO, promover a igualdade de gênero na ciência passa pelo desmantelamento de estereótipos e preconceitos, ampliando a visibilidade de modelos femininos e reconhecendo suas contribuições, além de fortalecer redes e plataformas globais que possibilitem conexões profissionais significativas entre mulheres cientistas. Também é fundamental envolver pais e responsáveis em iniciativas educativas que combatam concepções equivocadas sobre as áreas científicas e questionem expectativas de gênero que influenciam identidades, crenças e escolhas das meninas.

Conclusão

O Dia Nacional das Meninas e Mulheres na Ciência reforça a necessidade de garantir acesso igualitário à educação científica, promover a valorização de mulheres pesquisadoras, combater estereótipos e incentivar meninas a acreditarem que a ciência é um espaço para elas.

Que esta data nos lembre que a ciência só é verdadeiramente completa quando todas as vozes têm espaço para participar, criar e transformar. Que ela também reafirme, sem dúvidas, que ciência é coisa de menina — e que garantir esse lugar é um direito. Que sigamos lutando todos os dias por mais oportunidades, visibilidade e equidade, para que meninas e mulheres possam ocupar a ciência com liberdade, reconhecimento e protagonismo.

 

#CienciaCoisaDeMenina #MulheresNaCiencia #EquidadeDeGenero #CienciaComDiversidade #LugarDeMulherÉNaCiencia #EducacaoCientifica #DivulgacaoCientifica

Um novo ano para sonhar, descobrir e transformar: o que esperamos para o Ciência, Coisa de Menina

Todo início de ano traz consigo a sensação de recomeço. É o momento em que olhamos para trás, reconhecemos o caminho percorrido e, ao mesmo tempo, abrimos espaço para novos sonhos, novas perguntas e novas possibilidades. No Ciência, Coisa de Menina, esse movimento é ainda mais significativo, porque cada passo dado representa uma menina que passou a se enxergar como parte da ciência.

Ao longo do último ano, acompanhamos histórias potentes de transformação. Meninas que tiveram o primeiro contato com experimentos científicos, que entraram pela primeira vez em uma universidade, que conversaram com pesquisadoras, que descobriram que a curiosidade que carregam desde pequenas pode se tornar um caminho possível de estudo, profissão e realização pessoal. Esses encontros nos mostram que a ciência muda vidas quando é apresentada com afeto, escuta e pertencimento.

Encerrar um ciclo é também reconhecer que a ciência não se constrói sozinha. Ela nasce do coletivo, das trocas, das perguntas feitas sem medo e do incentivo constante para que meninas ocupem espaços historicamente negados a elas. É com esse espírito que iniciamos um novo ano: com gratidão pelo que foi vivido e com entusiasmo pelo que ainda queremos construir.

O que queremos fortalecer e ampliar neste novo an0

O Ciêncioa, Coisa de Menina nasce da certeza de que meninas são capazes de fazer ciência desde cedo, desde que tenham oportunidades, referências e ambientes seguros para explorar suas ideias. Para este novo ano, nosso desejo é aprofundar esse compromisso e ampliar nosso alcance.

Queremos ver o projeto crescendo em diferentes frentes:

  • Mais acesso à ciência em territórios diversos, chegando a escolas, comunidades e espaços onde o contato com a universidade e a pesquisa ainda é limitado;

  • Atividades práticas e experimentais, que estimulem o aprender fazendo, despertando a curiosidade científica de forma concreta e divertida;

  • Maior aproximação entre meninas e mulheres cientistas, criando vínculos, referências reais e diálogos inspiradores;

  • Espaços de escuta e expressão, onde as próprias meninas possam falar sobre seus sonhos, inseguranças, descobertas e perguntas;

  • Fortalecimento da divulgação científica, mostrando que ciência também é linguagem, comunicação, criatividade e transformação social.

Mais do que formar futuras cientistas, queremos formar meninas confiantes, que saibam que a ciência pode ser um caminho possível, mas que, acima de tudo, reconheçam o próprio valor, sua capacidade de pensar criticamente e de ocupar qualquer espaço que desejarem.

A importância das referências: ver para se reconhecer

Um dos pilares do Ciência, Coisa de Menina é a construção de referências. Quando uma menina vê outra mulher fazendo ciência, liderando pesquisas, explorando o mundo, ela passa a imaginar: “eu também posso estar ali”. Esse processo de identificação é poderoso e necessário.

Nesse sentido, os momentos de pausa, como as férias, também podem ser oportunidades de aprendizado e inspiração. Assistir a filmes e documentários que retratam histórias reais de mulheres na ciência, na educação e na luta por direitos é uma forma de ampliar horizontes e fortalecer sonhos.

Resenha do documentário As Cientistas (2021)

O documentário As Cientistas apresenta histórias reais de mulheres brasileiras que atuam na ciência em diferentes áreas do conhecimento. Ao longo do filme, conhecemos pesquisadoras que trabalham com biologia, física, química, saúde, educação e outras áreas, mostrando que a ciência no Brasil também é feita por mulheres, com dedicação, esforço e compromisso com a sociedade.

O documentário mostra que o caminho da ciência nem sempre é fácil. Muitas das cientistas relatam dificuldades como a falta de reconhecimento, o machismo dentro das universidades, a escassez de recursos para pesquisa e a necessidade de conciliar trabalho, estudos e vida pessoal. Esses relatos ajudam o público a entender que os desafios enfrentados pelas mulheres na ciência não são individuais, mas fazem parte de uma realidade ainda desigual.

Mesmo diante dessas dificuldades, o filme destaca a força, a persistência e a paixão dessas mulheres pelo que fazem. As cientistas compartilham como suas pesquisas contribuem diretamente para a melhoria da vida das pessoas, seja na área da saúde, do meio ambiente ou da educação. Isso reforça a ideia de que a ciência está presente no dia a dia e tem um papel fundamental na construção de uma sociedade melhor.

Um ponto muito importante do documentário é a forma como ele aproxima a ciência das pessoas. Ao mostrar cientistas brasileiras falando de suas próprias histórias, o filme ajuda meninas e jovens a se identificarem com essas trajetórias. Ver mulheres reais ocupando espaços científicos faz com que outras meninas possam imaginar esse caminho para si mesmas e perceber que a ciência também pode ser um sonho possível.

Além disso, o documentário chama a atenção para a importância de apoiar a presença feminina na ciência. Ele mostra como o incentivo, o acesso à educação e a valorização das pesquisadoras são essenciais para que mais mulheres permaneçam e cresçam nesse campo. A diversidade, como o filme deixa claro, fortalece a ciência e amplia as possibilidades de inovação.

As Cientistas é um documentário inspirador, que informa, emociona e provoca reflexão. Ele é uma excelente ferramenta para ser usada em escolas, projetos sociais e iniciativas de divulgação científica, pois ajuda a construir uma visão mais justa e inclusiva sobre quem faz ciência no Brasil.

Ao final, o filme nos lembra que a ciência não é feita apenas de números, fórmulas e laboratórios, mas também de pessoas, histórias e sonhos. E que meninas precisam crescer sabendo que suas perguntas importam e que a ciência também é um lugar para elas.

Seguimos juntas, com curiosidade e esperança

Começar um novo ano no Ciência, Coisa de Menina é reafirmar um compromisso coletivo: o de continuar abrindo caminhos, construindo pontes e fortalecendo sonhos. Seguimos acreditando que a ciência é, sim, coisa de menina e que cada experiência, cada conversa e cada descoberta contribui para um futuro mais diverso, justo e inclusivo.

Que este seja um ano de mais perguntas do que respostas prontas, de mais encontros, de mais descobertas e de mais meninas se reconhecendo como parte da ciência.

Seguimos juntas. Porque o futuro se constrói agora e ele também é feito por meninas. 💜🔬

Especial Ciência, Coisa de Menina 2025

 

 

A ciência brasileira ganha novas cores, vozes e perspectivas quando abrimos as portas para o talento feminino desde cedo. O projeto Ciência Coisa de Menina tem sido um divisor de águas na vida de jovens em todo o país, provando que o laboratório, a pesquisa e a inovação são espaços de direito de toda mulher.

Para entender a dimensão dessa transformação, reunimos depoimentos de participantes de diferentes polos e regiões. Elas compartilham suas experiências, os momentos que marcaram sua trajetória em 2025 e como o projeto ajudou a moldar suas visões de mundo.

Polo Tramandaí – UFRGS

Júlia Yasmin Maciel Licks, 18 anos
“O projeto Ciência, Coisa de Menina me mostrou que a ciência também é o meu lugar, e que quando uma menina acredita no seu potencial, ela transforma o futuro. O momento que mais me marcou no projeto foi a confecção de perfumes. Foi uma experiência única, criativa e cheia de descobertas. Poder transformar ideias em algo real, com minhas próprias mãos, me fez sentir ainda mais conectada com a ciência e perceber o quanto ela pode ser divertida, prática e inspiradora. O projeto tem um impacto enorme em nível nacional, pois incentiva meninas de diferentes regiões do país a acreditarem em seu potencial científico. Ele abre portas, promove representatividade, cria oportunidades de aprendizagem e mostra que meninas podem e devem ocupar espaços importantes no mundo da ciência. Ao unir polos de várias regiões, o projeto fortalece a presença feminina na ciência e contribui para a construção de um futuro mais diverso, criativo e igualitário para todo o Brasil.”

Yasmin Nunes da Silva, 19 anos
“Participar do projeto Ciência: Coisa de Menina me abriu muitas portas, muitas oportunidades e experiências novas. Posso dizer que faço parte de um projeto que é como uma família para mim. É uma honra enorme estar nesse projeto, que é muito importante e especial para mim. O que mais me marcou neste 2025 com o projeto foi a minha primeira visita à UFRGS do litoral. Foi uma experiência maravilhosa! Fomos convidadas a assistir a uma palestra incrível, e para mim, isso foi marcante. Eu espero que esse projeto possa se expandir para fora do país e mostrar para outras meninas esse mundo maravilhoso da ciência, repleto de experiências, amor e empatia umas pelas outras. Afinal, isso é o que resume o Ciência é Coisa de Menina!”

Sophia Dourado, 18 anos
“O projeto foi importante para mim porque me deu a oportunidade de conhecer muitas pessoas legais, aprender coisas novas e me incentivou a sempre procurar superar as minhas próprias expectativas. Participei de oficinas muito legais, como a do perfume, e me diverti muito nesse projeto!”

Polo Poços de Caldas – Unifal

Ana Julia Faria Fernandes, 18 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina me ensinou e me mostrou caminhos nos quais posso ingressar e me capacitar para alcançar meus sonhos e desejos, além de mostrar que toda mulher mostra que toda mulher pode ser cientista.”

Maria Luiza Maciel, 18 anos
“Em 2025, o projeto Ciência: Coisa de Menina me mostrou quem eu posso ser: uma menina que questiona, descobre e transforma, e que faz parte de um movimento que inspira outras meninas em todo o país.”

 

Polo Florianópolis – UFSC 

Eduarda Valenthini, 16 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina, foi a porta que eu precisava para adentrar ainda mais no mundo científico. Com o projeto, aprendi com mulheres incríveis o quanto somos, sim, importantes e necessárias em ambientes que, por tanto tempo, nos foram negados.”

Maria Luiza Silva Souza, 15 anos
“O projeto é muito significativo no sentido de conscientização, ajuda muito em mostrar que qualquer um pode sim entrar na ciência independente de sua cor, gênero ou sexualidade. Isso por si é muito bonito e motiva outras pessoas à entrarem nesse meio, pessoas que não teriam tantas oportunidades.”

 

Polo Salvador – IFBA

Alyne Silva Lopes, 21 anos
“‘O que é ser mulher?’ Para além da ciência, o projeto CCM também impacta no nosso senso crítico sobre o universo feminino, como a sociedade o molda e como nós podemos nos libertar disso.”

Taíssa Santos e Santos, 19 anos
“O projeto Ciência: Coisa de Menina representa a oportunidade de me reconhecer como parte da ciência, de entender que o meu lugar também é nos laboratórios, nas pesquisas e nas descobertas. O que mais me marcou foi perceber o quanto somos capazes quando recebemos incentivo, apoio e conhecimento, além das experiências práticas que fortaleceram a minha confiança e o meu interesse pela ciência.”

Polo Penedo – IFAL

Letícia Oliveira Veras (17 anos) e Letycya Gabryella Santos (16 anos)
A frase é: ”A ciência também se constrói com mãos femininas”

 

O Futuro é Feminino e Científico! Os relatos dessas jovens deixam claro que o Ciência Coisa de Menina vai muito além de oficinas e palestras: trata-se de um movimento de emancipação. Ao oferecer ferramentas, representatividade e uma rede de apoio, o projeto está formando não apenas futuras cientistas, mas cidadãs críticas e confiantes.

A ciência brasileira só tem a ganhar com essa diversidade. Afinal, como as próprias participantes afirmam: o futuro se transforma quando uma menina acredita no seu potencial.

Encerramento do Ano e Metas para 2026

 

 

Ao encerrarmos mais um ano de atividades do Ciência, coisa de menina, queremos expressar nossa profunda gratidão a todas as pessoas que tornaram essa trajetória possível. Cada conquista alcançada é resultado de um esforço coletivo, construído com compromisso, sensibilidade, dedicação e trabalho em rede.

Pesquisadoras, professoras, estudantes, técnicas, bolsistas, apoiadores institucionais e parceiros caminharam juntos, contribuindo com saberes, tempo, escuta e afeto para fortalecer um projeto que tem como propósito ampliar a diversidade de gênero na ciência brasileira. Ao longo deste ano, avançamos não apenas em ações, oficinas, formações e mentorias, mas também em aprendizados, trocas e na construção de novos olhares sobre o fazer científico.

O Ciência, coisa de menina reafirma seu compromisso com a formação de alunas do ensino fundamental II e do ensino médio de escolas públicas das regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, por meio de um programa de mentoria científica assistida. Nossa grande meta que orienta cada ação desenvolvida é contribuir para a transformação da percepção que essas estudantes têm da carreira científica, mostrando que a Universidade é um espaço de entrada, permanência, pertencimento e produção de conhecimento, e não apenas um caminho de qualificação da mão de obra.

Os resultados alcançados ao longo deste ano demonstram a força do trabalho coletivo e a potência de iniciativas que acreditam na ciência como ferramenta de transformação social. Cada encontro, cada oficina, cada conversa e cada conquista reforçam que estamos no caminho certo.

A todos e todas que fizeram parte dessa jornada, nosso muito obrigada. Que o próximo ano seja repleto de novas oportunidades, descobertas, aprendizados e avanços, e que possamos seguir fortalecendo uma ciência mais diversa, inclusiva e comprometida com a equidade.

Desejamos um Ano Novo próspero, com saúde, esperança e muitas novas descobertas científicas.
Atenciosamente: Coordenação do Projeto Ciência, coisa de menina

Metas do Ciência, coisa de menina para 2026:

  • Ampliar o alcance do projeto, envolvendo um número ainda maior de meninas e comunidades.
  • Implantar dois novos polos do Ciência, coisa de menina, fortalecendo a atuação territorial do projeto.
  • Dar continuidade às oficinas científicas, com foco em ciência, tecnologia e inovação.
  • Desenvolver novas ações formativas para estudantes, ampliando as oportunidades de aprendizado e protagonismo.
  • Promover palestras e rodas de conversa com pesquisadoras e profissionais de diferentes áreas científicas.
  • Incentivar e viabilizar a participação das meninas em eventos científicos, feiras, congressos e encontros acadêmicos.
  • Fortalecer e ampliar as ações de divulgação científica, expandindo a presença e o impacto do projeto no Instagram e no site oficial.
  • Produzir podcasts com a participação das meninas do projeto e de cientistas mulheres, abordando a importância da diversidade de gênero e raça na ciência.
  • Levar a ciência cada vez mais longe, contribuindo para a transformação social, educacional e científica das participantes.

Retrospectiva de 2025: Ciência, Coisa de Menina

 

 

    Em 2025, o projeto Ciência, Coisa de Menina atendeu cerca de 200 estudantes matriculadas do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, distribuídas entre os cinco polos regionais: Poços de Caldas (MG), Penedo (AL), Salvador (BA), Tramandaí (RS) e Florianópolis (SC).

    O projeto promoveu três oficinas padronizadas em todas as cidades, com uma proposta imersiva que permitiu que as jovens explorassem de forma lúdica o universo científico. A Oficina de Metodologia Científica introduziu os fundamentos da investigação, preparando as alunas para pensar como pesquisadoras. Já a Oficina Química dos Aromas uniu teoria e prática, mostrando a química aplicada na confecção de perfumes. Por fim, a Oficina de Algoritmos abriu as portas do pensamento computacional, demonstrando como a lógica pode ser uma ferramenta criativa e transformadora.

    Além das atividades práticas, o ciclo de palestras trouxe vozes de referência para inspirar e provocar reflexões. Destaque para as participações de:

  • Adrianne Bastos, que abordou sua trajetória e os desafios das mulheres negras na ciência;
  • Kananda Eller, discutindo o papel da química frente às emergências climáticas;
  • Janaína de Mendonça, que debateu “Não somos uma democracia racial” e “Não somos todas iguais”.

Outro marco do ano foi a aproximação das alunas com o ambiente acadêmico. As participantes visitaram e conheceram de perto as instituições polo:

  • UNIFAL (Universidade Federal de Alfenas) – campus Poços de Caldas
  • UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – campus Tramandaí
  • UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) – campus Florianópolis
  • IFAL (Instituto Federal de Alagoas) – campus Penedo
  • IFBA (Instituto Federal da Bahia) – campus Salvador

Com o objetivo de ampliar seu alcance e aproximar ainda mais a comunidade do universo acadêmico e das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o projeto também marcou presença em eventos científicos, feiras e escolas locais ao longo de 2025. Essas participações foram estratégicas para apresentar a proposta do Ciência, Coisa de Menina ao público, inspirar novas estudantes e fortalecer o diálogo entre a universidade e a sociedade, criando pontes que estimulam o interesse científico desde cedo.

Além disso, as integrantes do projeto CCM demonstraram que a ciência vai muito além dos laboratórios. Elas produziram uma série de materiais de divulgação científica para a rede @cienciacoisademenina, levando conhecimento de forma acessível e inspiradora.

Em paralelo, as meninas do Colégio Municipal de Poços de Caldas colocaram a mão na massa pela comunidade. Durante a campanha do Outubro Rosa, organizaram uma bem-sucedida arrecadação de alimentos em prol do GAAPO (Grupo de Apoio a Pacientes Oncológicos), unindo conscientização à solidariedade prática. A iniciativa reforça nosso compromisso com uma ciência socialmente relevante e transformadora.

Em 2025, o Ciência, Coisa de Menina não só mostrou, como provou: a ciência é, sim, um espaço possível, inspirador e — sobretudo — pertencente a todas as meninas. Transformar essa perspectiva é o primeiro passo para reduzir a desigualdade de gênero na ciência e, assim, construir um futuro melhor.

Educação Científica e Equidade: Rompendo Barreiras de Gênero

 

 

A educação científica de qualidade é um pilar essencial para o desenvolvimento de uma sociedade justa, crítica e inovadora. Ela capacita indivíduos a questionarem o mundo, a tomarem decisões informadas e a participarem ativamente da construção do conhecimento. No entanto, tanto o acesso a essa educação quanto a permanência e a progressão profissional nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) ainda são marcados por profundas desigualdades de gênero.

A equidade na educação científica busca garantir que todas as pessoas tenham oportunidades justas, considerando as diferentes realidades sociais e enfrentando barreiras estruturais historicamente construídas. No contexto das áreas de STEM, dados nacionais e internacionais evidenciam que meninas e mulheres permanecem sub-representadas, especialmente nas ciências exatas, na tecnologia e na engenharia. Essa disparidade não reflete uma menor capacidade ou interesse, mas resulta de fatores sociais, culturais e educacionais que influenciam escolhas e trajetórias desde a infância.

Um dos principais obstáculos enfrentados é a persistência de estereótipos de gênero que associam a ciência e a tecnologia à masculinidade. Essas ideias são transmitidas precocemente e impactam diretamente a formação da identidade científica das meninas, reduzindo sua autoeficácia, isto é, a crença em sua própria capacidade de aprender e ter sucesso em áreas consideradas difíceis. A ausência de referências femininas nos currículos escolares, nos materiais didáticos e na mídia reforça esse cenário, dificultando que meninas se reconheçam como possíveis cientistas, engenheiras ou inventoras.

Para promover a equidade de forma efetiva, é necessário ir além da igualdade formal de acesso e investir em ações que enfrentem as causas das desigualdades. Isso inclui a revisão de currículos e práticas pedagógicas, de modo que o ensino de ciências seja contextualizado e conectado a problemas reais da sociedade, tornando-se mais significativo e inclusivo. Também é fundamental dar visibilidade às contribuições de mulheres na ciência, tanto históricas quanto contemporâneas, contribuindo para a desconstrução de estereótipos e para o fortalecimento da representatividade.

Além disso, a construção de ambientes de aprendizagem acolhedores, nos quais meninas se sintam encorajadas a participar, questionar e errar sem julgamentos, é essencial. Metodologias ativas, como o aprendizado baseado em projetos e a investigação científica, favorecem o engajamento e a confiança das estudantes. Programas de mentoria com mulheres atuantes nas áreas científicas e tecnológicas também desempenham um papel crucial, ao oferecer orientação, apoio emocional e exemplos concretos de trajetórias possíveis.

Investir na equidade na educação científica não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia fundamental para impulsionar a inovação e o desenvolvimento. Ao garantir que todas as mentes talentosas, independentemente do gênero, tenham condições de se desenvolver plenamente, ampliamos o potencial da ciência e da tecnologia para responder aos desafios contemporâneos e promover benefícios para toda a sociedade.

Referências

UNESCO. Cracking the code: educação de meninas e mulheres em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Paris, 2017.

Zúñiga-Mejías, Vanessa; Huincahue, Jaime. Estereótipos de gênero em STEM e seus impactos na educação básica. Educação e Pesquisa, 2024.

Ferreira, Rogelma Maria da Silva. Estereótipos de gênero e o interesse de alunas por ciências exatas e tecnológicas. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, 2023.

Lima, Mayara L. de F.; Aquino, Rafael S. de; Leão, Ana M. dos A. C. STEM e questões de gênero: reflexões e desafios para a equidade. Revista Contexto & Educação, 2025.

Oliveira, Elisabete R. B. de; Gava, Thais; Unbehaum, Sandra. Educação STEM e gênero: contribuições para o debate brasileiro. Cadernos de Pesquisa, 2020.

 

Antirracismo: Um Compromisso Coletivo e Inadiável

 

 

    A formação do Brasil ocorreu dentro de uma lógica política, científica e econômica sustentada por estruturas de dominação, exploração e devastação colonial. Desde o início, o país foi moldado por uma cultura imperialista, racista, eugenista e higienista. Considerando os 521 anos desde a invasão portuguesa, dos quais 388 foram marcados pela escravidão, até sua abolição formal em 1888 e outros 100 até a promulgação da Constituição Federal de 1988, que finalmente reconheceu os direitos das maiorias historicamente minorizadas, torna-se evidente que apenas 33 anos se passaram sob um marco legal que afirma, ainda que tardiamente, a diversidade racial e uma concepção democrática de cidadania. No entanto, para muitas pessoas, é mais fácil sustentar a crença equivocada de que pessoas negras, indígenas, mulheres, gays, lésbicas e populações pobres são inferiores, do que reconhecer que as violências que as atravessam são resultado de um longo e brutal processo colonial de exploração (ALVES, et al., 2022).

Desse modo, a estrutura racista que atravessa a sociedade brasileira não é acidental: ela é fruto de séculos de exploração e de um projeto historicamente planejado para consolidar relações de dominação e subalternidade envolvendo pessoas negras (pretas e pardas), indígenas e comunidades quilombolas. Seus efeitos permanecem visíveis no cotidiano, como destaca a cartilha antirracista (2023), elaborada por alunos, em sua maioria voluntários, sob coordenação do Projeto Letramento Racial como forma de Enfrentamento ao Racismo, vinculado ao Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará. Segundo o material, o racismo se manifesta quando uma pessoa negra, ou um grupo de pessoas negras, é submetido a constrangimentos, discriminações ou violências, físicas ou verbais, motivadas exclusivamente por seu pertencimento racial.

Diante desse cenário histórico brasileiro de opressão, que segue negando direitos, todos nós temos o dever de sermos antirracistas. Djamila Ribeiro, filósofa, escritora e ativista feminista brasileira, enfatiza que ser antirracista exige ação concreta; não se trata de um adjetivo associado ao próprio nome, mas de um verbo, um compromisso cotidiano. Não basta apenas “não ser racista”: é necessário agir de forma sistemática contra o racismo — questionando piadas, silêncios, estruturas e escolhas que o sustentam. Esse compromisso envolve vigilância constante sobre as próprias atitudes e disposição para reconhecer privilégios. Inclui, também, compreender que a linguagem carrega valores sociais e, por isso, deve ser usada de maneira crítica, abandonando expressões racistas como “ela é negra, mas é bonita”. Ser antirracista implica pesquisar, estudar produções de intelectuais negros e promover diálogos dentro de casa, com a família e com as crianças. Significa, ainda, apresentar às crianças obras literárias com personagens negros que rompam com estereótipos e assegurar que as escolas cumpram a Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira (Ribeiro, 2019).

Nesse contexto, o antirracismo configura-se como a oposição ativa ao racismo, ao preconceito, à discriminação racial e às ideologias que os sustentam. Trata-se de uma ferramenta fundamental para a construção da justiça racial e para o fortalecimento de uma sociedade verdadeiramente democrática, justa e diversa (Cartilha Antirracista, 2023). Uma educação antirracista, conforme defende Bárbara Carine em Como Ser um Educador Antirracista, não se limita a promover inclusão formal. Ela propõe uma escola “implosiva”, que questiona e desmantela as estruturas que historicamente sustentam desigualdades raciais. Mais do que inserir “o diferente” no modelo já dado, trata-se de reconstruir a escola de forma coletiva, repensando currículos, práticas pedagógicas, relações de poder e modos de produzir conhecimento, para que a instituição se torne, de fato, espaço de justiça, equidade e transformação social.

O rapper Emicida diz “A pé, trilha em brasa e barranco, que pena. Se até pra sonhar tem entrave. A felicidade do branco é plena. A felicidade do preto é quase”, descrevendo genuinamente a profundidade com que o sistema racista no Brasil dilacera as minorias.

Por fim, é somente por meio de uma educação antirracista, compromisso político e responsabilidade de toda a sociedade, que será possível enfrentar efetivamente o racismo no Brasil. Para isso, é fundamental compreender o funcionamento de suas estruturas, de modo a agir de forma consciente e constante na construção de práticas verdadeiramente antirracistas.

Referências

ALVES, Adeir Ferreira; MACEDO, Aldenora Conceição; CARDOSO, Elna Dias. “É Preciso Ser Antirracista”. Caderno de apoio para práticas pedagógicas de enfrentamento e combate ao racismo na escola: Implementando a Lei 10.639 de 2003. 128p. 2022. ISBN 978-65-999227-0-1

Cartilha antirracista. Projeto letramento racial: como forma de combate ao racismo / Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências Jurídicas, Projeto Letramento Racial. – Belém: ICJ/UFPA, 58p. 2023.

PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta do Brasil,160p. 2023. ISBN: 09788542221251.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. Editora: Companhia das Letras. 136 p. 2019. ISBN -10: 8535932879