Mulheres na ciência: pesquisadoras que revelam os impactos do racismo ambiental
Você já parou para pensar por que os impactos das enchentes, deslizamentos e outras crises climáticas nunca atingem a cidade de forma igual? Embora o debate sobre essas crises pareça recente, a lógica que dita quem sofre primeiro, e de forma mais severa, com a degradação do planeta é antiga e estrutural. Esse fenômeno tem nome: racismo ambiental.
O conceito surgiu nos Estados Unidos na década de 1980, nas lutas por direitos civis. No entanto, como discute a socióloga e pesquisadora brasileira Selene Herculano, quando trazemos esse assunto para a nossa realidade, o debate se torna ainda mais desafiador. Isso não acontece por acidente, mas por meio de um sistema onde os impactos ambientais do desenvolvimento econômico atingem de forma desigual populações historicamente vulneráveis. No Brasil, isso fica evidente na naturalização da pobreza e na exposição forçada de negros periféricos, indígenas, quilombolas e migrantes aos cenários de risco.
Se hoje é possível entender e debater esse conceito por aqui, é porque nas últimas décadas pesquisadoras e ativistas entraram em ação, unindo a ciência da universidade com a luta real pela justiça ambiental. Conheça algumas delas:

Selene Herculano: Socióloga, professora aposentada da Universidade Federal Fluminense (UFF) e uma das maiores referências intelectuais e ativistas no campo da Sociologia Ambiental, da Justiça Ambiental e do Ecofeminismo no Brasil. Foi uma das principais responsáveis por importar os conceitos norte-americanos de Justiça Ambiental e Racismo Ambiental, adaptando-os para explicar as profundas desigualdades coloniais e sociais do Brasil.

Amanda Costa: Ativista climática e pesquisadora de Relações Internacionais, muito reconhecida por difundir o conceito e suas conexões com a juventude e a governança.

Lays Helena Paes e Silva: Cientista social e investigadora com ligações ao Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. É uma das vozes contemporâneas que estuda a validação, a utilidade e a aplicação do conceito de racismo ambiental no hemisfério sul, com foco na realidade brasileira.

Mariana Belmont: Jornalista e ambientalista, organizou o livro Racismo Ambiental e Emergência Climática no Brasil, trazendo à tona a relação entre as desigualdades históricas e a crise do clima.
Portanto, entender o racismo ambiental só é possível porque várias mulheres decidiram pesquisar e combater esse problema. O trabalho delas somado à força e à sabedoria das mulheres quilombolas e indígenas, tornou possível o contato desse conceito às dinâmicas sociais. Elas nos mostraram que discutir meio ambiente é, na verdade, discutir a vida das pessoas, direitos humanos e até mesmo sobrevivência.
Referências:
HERCULANO, Selene. O clamor por justiça ambiental e contra o racismo ambiental. InterfacEHS – Revista de Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, v. 3, n. 1, art. 2, jan./abr. 2008. Disponível em: https://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/InterfacEHS/wp-content/uploads/2013/07/art-2-2008-6.pdf. Acesso em: 29 jun. 2026.
HERCULANO, Selene. Racismo ambiental, o que é isso? [S. l.: s. n.], [2017]. Disponível em: https://www.professores.uff.br/seleneherculano/wp-content/uploads/sites/149/2017/09/Racismo_3_ambiental.pdf. Acesso em: 29 jun. 2026.
SILVA, Lays Helena Paes e. Ambiente e justiça: sobre a utilidade do conceito de racismo ambiental no contexto brasileiro. e-cadernos CES, n. 17, p. 85-111, 2012. Disponível em: https://journals.openedition.org/eces/1123. Acesso em: 29 jun. 2026.
SOUSA, Daniel Marques de; OLIVEIRA, Maria Teresa de. Racismo ambiental e justiça climática: uma análise interseccional à luz da realidade brasileira. Conecte-se: Revista de Extensão da PUC Minas, v. 8, n. 15, 2024. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/conecte-se/article/view/36110/23883. Acesso em: 29 jun. 2026.