Mulheres na política: uma trajetória de conquistas e desafios
A participação das mulheres na política brasileira é resultado de uma trajetória marcada por conquistas, transformações sociais e pela ampliação de direitos. Durante muito tempo, as mulheres foram excluídas dos espaços de decisão e não possuíam os mesmos direitos políticos que os homens. Um importante marco nessa trajetória ocorreu em 1932, quando o Código Eleitoral reconheceu às mulheres o direito de votar e de serem votadas.
No ano seguinte, em 1933, ocorreram as primeiras eleições em que as mulheres puderam votar e se candidatar à Assembleia Nacional Constituinte. Nesse processo, Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira mulher eleita deputada federal pelo voto popular no Brasil. Sua eleição marcou o início de uma nova etapa da presença feminina no Parlamento brasileiro.

Desde então, a participação das mulheres na política brasileira passou por diferentes transformações. Atualmente, elas representam a maioria do eleitorado brasileiro. Nas Eleições Municipais de 2024, as mulheres correspondiam a 52,47% do eleitorado, com 81.806.914 eleitoras, enquanto os homens representavam 47,51%. Os dados mostram a expressiva participação feminina no processo eleitoral como eleitoras.
Quando observamos os resultados das eleições, porém, a presença feminina é proporcionalmente menor. Nas Eleições Municipais de 2024, foram eleitas 12.331 mulheres: 725 prefeitas, 1.051 vice-prefeitas e 10.555 vereadoras. Em conjunto, essas mulheres representaram 17,92% do total de pessoas eleitas para os cargos municipais naquele pleito.
Essa diferença também pode ser observada no Congresso Nacional. Segundo dados da União Interparlamentar (IPU), em dezembro de 2025, as mulheres ocupavam 17,2% das cadeiras da Câmara dos Deputados, correspondentes a 88 das 513 vagas. No Senado Federal, eram 15 mulheres entre os 81 parlamentares, o equivalente a 18,5% das cadeiras.
Os dados permitem observar que, ao longo de mais de 90 anos desde a conquista do direito ao voto, a participação feminina na política brasileira avançou e passou a ocupar diferentes espaços de representação. Ao mesmo tempo, a diferença entre a participação das mulheres no eleitorado e sua presença nos cargos eletivos evidencia que a representação política feminina ainda não acompanha sua participação como eleitoras.
Conhecer essa trajetória, desde a conquista dos direitos políticos até a presença das mulheres nos espaços de decisão, contribui para compreender as transformações ocorridas na política brasileira e os desafios que permanecem relacionados à representação e à participação feminina na vida pública.
Referências
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