Violência contra as mulheres no Brasil: o que os dados revelam
Março é um mês de visibilidade, luta e memória. Quando falamos sobre mulheres neste período, é comum destacar conquistas, trajetórias inspiradoras e avanços importantes. Mas também é necessário olhar para aquilo que ainda precisa ser transformado com urgência. Falar sobre a violência contra as mulheres em março é, portanto, uma escolha necessária: não existe celebração verdadeira enquanto tantas mulheres continuam tendo suas vidas marcadas pelo medo, pela dor e pela desigualdade. Os dados revelam que esse não é um problema isolado, privado ou eventual. Em escala global, quase 1 em cada 3 mulheres já sofreu violência física e/ou sexual ao longo da vida, geralmente praticada por parceiros íntimos[cite: 1]. Nas Américas, a violência por parceiro íntimo segue sendo uma das formas mais comuns dessa violação de direitos[cite: 1]. Isso mostra que a violência contra as mulheres não é uma exceção[cite: 1]. Ela faz parte de uma realidade dura, constante e presente em diferentes países, culturas e espaços sociais[cite: 1].

No Brasil, a situação também é muito preocupante[cite: 1]. Levantamentos recentes indicam que milhões de mulheres seguem expostas a agressões físicas, psicológicas e sexuais[cite: 1]. Segundo dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 40,7% das mulheres com 16 anos ou mais já sofreram violência física, sexual e/ou psicológica praticada por parceiro íntimo ou ex-parceiro ao longo da vida[cite: 1]. Além disso, bases recentes organizadas pelo Instituto Patrícia Galvão apontam que mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2024[cite: 1]. Esses números mostram que a violência contra a mulher está presente no cotidiano e afeta profundamente a vida de quem passa por isso[cite: 1].

Esses números não se resumem a estatísticas[cite: 1]. Eles correspondem a histórias interrompidas, rotinas marcadas pelo medo, trajetórias escolares e profissionais afetadas, vínculos familiares abalados e projetos de vida que passam a ser reorganizados em função da sobrevivência[cite: 1]. A violência produz impactos emocionais profundos, como ansiedade, depressão, culpa, medo crônico e perda da autoestima[cite: 1]. No plano social, pode gerar isolamento, afastamento dos espaços públicos e enfraquecimento das redes de apoio[cite: 1].
Também é importante compreender que a violência nem sempre começa com a agressão física[cite: 1]. Muitas vezes, ela se inicia nas palavras, nas humilhações, no controle, na desqualificação e nas tentativas de silenciamento[cite: 1]. No ambiente digital, esse processo tem ganhado novas formas e escalas[cite: 1]. O crescimento do discurso de ódio contra as mulheres nas redes sociais ajuda a normalizar a violência, reforça ideias de inferioridade feminina e pode até incentivar agressões fora da internet[cite: 1].
O espaço digital se tornou um lugar onde muitas mulheres sofrem ataques misóginos, ameaças, exposição de imagens sem consentimento, mentiras criadas para destruir sua imagem e campanhas organizadas para intimidar e silenciar[cite: 1]. Essas violências não são menores só porque acontecem na internet[cite: 1]. Elas ferem, assustam, deixam marcas profundas e aumentam a sensação de insegurança[cite: 1]. Quando esse tipo de ataque se repete todos os dias, ele ajuda a tornar a violência algo comum aos olhos de muitas pessoas, quando na verdade deveria ser combatida com firmeza[cite: 1].
Falar sobre isso em uma iniciativa como o Ciência, Coisa de Menina também é afirmar que a produção do conhecimento não está separada da realidade[cite: 1]. Discutir violência de gênero é discutir direitos humanos, saúde pública, educação, justiça social, tecnologia e democracia[cite: 1]. É reconhecer que meninas e mulheres só podem participar da ciência, da escola, da universidade e da vida pública quando têm garantidas condições mínimas de dignidade, segurança e liberdade[cite: 1].
